Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2019
A série “Segunda Chamada” da Rede Globo, retrata histórias de adultos que frequentam uma escola noturna a fim de concluir sua graduação, uma vez que não obtiveram possibilidades de o fazer quando jovens. Apesar de a educação ser um direito assegurado na Constituição, na prática ela não ocorre de forma justa para todos e a evasão escolar ainda ocorre no país. Dessa forma, há uma necessidade de medidas serem tomadas pelo Estado para combater essa situação.
Primeiramente, é possível verificar a existência de casos em que a fuga da escola ocorre pela nítida condição de pobreza em que algumas famílias se encontram. Uma vez que o país encontra-se submergido em uma crise econômica, muitos jovens de classes mais baixas da sociedade precisam abandonar seus estudos para auxiliarem na renda familiar. Então, como não conseguem se formar, acabam ficando às margens da sociedade, em subempregos ou no mercado informal, ou acabam por recorrer à violência, já que o mercado de trabalho atual, exige mão de obra qualificada. Assim, um ciclo é gerado, pois, a falta de experiência garante o desemprego ou um emprego com condições inferiores e o trabalho acaba por impedir a conclusão escolar.
Por outro lado, os jovens que conseguem permanecer nas escolas acabam se deparando com o empecilho enfrentado pelo frágil sistema de segurança pública. A exemplo disso, tem-se a cidade do Rio de Janeiro, em que a ineficiência do Estado permite que a cada dia ocorram novos casos de crianças sendo baleadas dentro das escolas, ou a caminho delas. Como aconteceu com a menina Ágatha Félix, em 2019, que foi baleada dentro da van escolar. Com isso, uma grande cultura do medo é gerada na sociedade, trazendo insegurança às famílias e essas podem acabar optando pela evasão escolar, graças à falta de segurança.
Logo, percebe-se que a educação não é garantida para todos e é necessário que ações sejam tomadas para reverter tal situação. Então, cabe ao Estado realizar um maior investimento na área de segurança, de forma a realizar treinamentos especializados nas cidades, a fim de preparar a polícia de forma adequada para lidar com certas situações adversas do cotidiano. Com isso, será possível assegurar a segurança pública, de modo erradicar as situações de “balas perdidas”. Além disso, o Ministério da Educação deve promover a criação de bolsas nas escolas públicas, bem como ocorre em algumas universidades, a partir da iniciação de pesquisas pelos jovens ou auxílio em monitorias, para auxiliar quem deseja ficar nas escolas, mas não tem essa oportunidade pela desigualdade social. Assim, será possível, por fim, garantir que não seja necessário aos jovens aguardarem a “Segunda Chamada” para serem capazes de concluir sua formação.