Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 24/10/2019
A evasão escolar é uma realidade na sociedade brasileira e representa um problema, já que, segundo o PNAD de 2018, 11,8% de adolescentes entre 15 e 17 anos não estavam nas escolas. Isso se deve, principalmente, ao descaso do poder público, constatado no sucateamento das instituições, e ao desinteresse estudantil, pela baixa atratividade dos colégios. Logo, é necessária intervenção nessa problemática.
Inicialmente, deve-se destacar como reflexo da negligência estatal em relação às escolas, a evasão. Nesse sentido, grande parte desses espaços apresentam péssima infraestrutura e ausência de professores, uma vez que esses profissionais possuem uma remuneração indigna, realidade essa que leva muitos adolescentes a abandonarem as escolas. Tal realidade é constatada com o Censo Escolar de 2017, no qual apenas 41,6% dos colégios contavam com rede e esgotos, e com a medida aprovada por Michel Temer em 2016, que congela os investimentos da educação pelos próximos 20 anos. Dessa forma, o cenário de sucateamento dos espaços de ensino deve ser revertido, para que os estudantes tenham o direito constitucional à educação assegurado.
Além disso, é relevante abordar o desinteresse dos alunos como causa de abandono da escola. Isso se deve, principalmente, ao método de ensino muito conteúdista, no qual os jovens são pressionados por resultados e não se identificam com os conteúdos ministrados. Nesse sentido, o documentário “Pro dia nascer feliz” retrata esse cenário ao exibir depoimentos de diversos estudantes, os quais veem nos colégios espaços pouco dinâmicos, que não apresentam assistência às demandas individuais e, portanto, são pouco atrativos. Logo, é essencial que o ensino brasileiro seja reformulado, de forma a prezar pela diversidade de atividades e formações oferecidas, tornando as instituições espaços mais didáticos e identitários.
Diante do exposto, medidas devem ser tomadas para combater a evasão escolar no Brasil. Para tal, o Estado deve melhorar a infraestrutura e organização das escolas, por meio da construção de espaços que disponham de serviços básicos aos alunos, além do aumento da remuneração de professores, a fim de que os colégios sejam locais de conforto e ofereçam uma educação de qualidade. Ademais, o Ministério da Educação deve diversificar os modelo de ensino e formação atuais, por meio de alteração na Base Nacional Curricular Comum, a qual flexibilizar o currículo institucional, com planos coletivos e aulas dinâmicas, para que os alunos desenvolvam uma noção de identidade e estejam interessados nos espaços escolares.