Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/10/2019

‘‘Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem’’. O excerto do livro ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, de José Saramago, critica uma sociedade invisual ao seu contexto. Analogamente, tal obra ilustra o cenário contemporâneo, uma vez que o corpo social é inobservante sobre a evasão escolar e a realidade brasileira, fruto da vulnerabilidade estudantil e da estrutura de ensino.

A princípio, a fragilidade socioeconômica do aluno contribui para o quadro vigente. Nesse sentido, de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, a necessidade de trocar os estudos para contribuir na renda familiar é um dos principais motivos da evasão escolar, haja vista  que o jovem tende a priorizar o seu sustento. Dessa maneira, é inadmissível que um país possuinte do Estatuto da Criança e do Adolescente, não  garanta para essa parcela demográfica o  pleno direito ao acesso educacional.

Não obstante, a falta de interesse pelo âmbito acadêmico corrobora a essa realidade. Mormente, o pedagogo Paulo Freire afirma que a ausência de uma educação conscientizadora  causa problemas sociais. Sob tal ótica, muitas vezes, não há atração significativa pelos estudos, principalmente feita pelos professores, consequência não apenas da baixa remuneração dos docentes, como também da precária infraestrutura dos colégios públicos. Dessa forma, é inaceitável o tecido social não enxergue que tal contexto impulsiona a evasão, pois compromete o entendimento da matéria e a perspectiva no aprendizado como forma de ascensão social, de maneira a contribuir na formação pessoal e profissional.

Torna-se evidente, portanto, que o fator necessita de maior notabilidade. Logo, o Tribunal de Contas da União deve destinar capital que, por intermédio do Ministério da Educação, reverterá na criação do programa chamado ‘‘Todos na Escola’’. Essa ação será realizada através de auxílio permanência para alunos mais propícios em evadir, com o controle de frequência nas aulas e manter o periódico contato entre a família e os gestores das instituições, com o intuito de motivar o interesse pela sala de aula e combater a evasão. Destarte, como proferiu Saramago ‘‘Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.’’