Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2019

Na obra “Capitães de areia”, o escritor modernista Jorge Amado, retrata o cotidiano de crianças órfãs que devido a sua realidade sócioeconômica, não frequentam a escola, sujeitando-se assim a cometer delitos, como meio de sobrevivência. No entanto, os modelos retrógrados de ensino, somados a escassez de recursos econômicos da população, fazem com que a evasão escolar se perpetue, sobretudo fora do âmbito fictício.

Em primeira análise, o sistema de ensino brasileiro, baseado em modelos ultrapassados, intensifica a evasão escolar. Nesse sentido, a falta de um método que coloque o aluno como um participante ativo  das aulas, e, no qual ele possa aprender conteúdos úteis para a sua vida futura, ampliam os casos de jovens que abandonam a escola. Em decorrência disso, por não ser um método de ensino eficaz em captar a atenção do aluno e mantê-lo na sala de aula por escolha própria, os adolescentes e jovens  não  sentem-se atraídos e motivados a frequentar o ambiente escolar, sujeitando-se nesses casos a trabalhar, ainda que em setores exaustivos.

Em segunda análise, percebe-se que realidades degradantes como a representada na obra “Capitães de areia” são definidoras à não participação escolar. Desse modo, a falta de condições econômicas e a consequente necessidade de trabalhar para sobreviver, afastam os jovens da escola, submetendo-os a trabalhos precários e de baixa lucratividade, em meio a um mercado de trabalho que busca pessoas qualificadas. Ademais, a escassez de recursos interfere ainda na dificuldade de acesso as escolas, uma vez que, por geralmente residirem em periferias ou na zona rural e as escolas instalarem-se nos centros urbanos, esses jovens, devido o descaso governamental, necessitam percorrer trajetos que os desestimulam.

Em suma, medidas são necessárias para atenuar a evasão escolar, a fim de que os jovens possam qualificar-se e transformar a sua realidade socioeconômica. Desse modo, o Ministério da Educação deve desenvolver um método de ensino que permita a participação do aluno, por meio de debates e aulas práticas. Ademais, além de investir em transportes escolares, para alunos que moram em lugares afastados das escolas e centros de ensino, o Governo Federal deve, introduzir dentro do currículo escolar cursos técnicos, que especializem o aluno na sua área de interesse e os encaminhe para o mercado de trabalho no contra turno escolar. Espera-se com isso que, torne-se possível conciliar escola e estudo, sem a necessidade do abandono escolar.