Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 25/10/2019

No livro “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problema. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor preconiza, uma vez que a evasão escolar é uma realidade vigente no Brasil, as quais dificultam a aproximação com o mundo idealizado por More. Sob esse viés, a incúria Estatal e o comodismo social são potencializadores do impasse.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que a educação é um direito social expresso na Constituição Federal de 1988, mas para que seja efetivada necessita de prestações positivas do Governo. Entretanto, percebe-se um número significativo de jovens que abandonam os estudos por falta de incentivos de familiares e aos baixos recursos destinados ao ensino público. Isso, em desdobramentos futuros, afetará a segurança, saúde e a economia, devido à escassez de mão de obra qualificada. A esse respeito, a responsabilidade dos gestores públicos é evidenciada pelo pensador Rousseau, ao declarar que “o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”. A partir disso, é formulada a teoria de contrato social, a qual é necessária à atuação do Estado para manutenção da ordem social.

Além disso, atitudes com alta repetitividade na sociedade tendem a permanecer se nada for feito, o que faz jus às palavras da socióloga Hannah Arendt de que “quando uma atitude agressiva é repetida várias vezes na sociedade, as pessoas param de vê-la como errada". Defronte a esse pensamento, é evidente que se deve ter uma transformação nas atitudes humanas em relação ao contexto educacional do país para que o problema de evasão escolar não se perpetue. Nessa perspectiva, é necessário que as pessoas mudem sua relação com a educação para poder progredir, pois de acordo com filósofo George Bernard, “não há progresso sem mudança”.

Urge, portanto, que a sociedade civil mais esclarecida exija que o Estado saia da inércia. Este, por sua vez, através do Ministério da Educação, deverá promover intervenções sociais voltadas a toda população, regidas por professores e psicopedagogos, profissionais especializados na área, em locais públicos como escolas, teatros e auditórios, abordando o tema com objetividade e clareza, com a finalidade de incentivar a população a buscar a educação e combater a baixa frequência de jovens nas escolas. Ademais, bolsas de auxílios, meios de transportes e materiais didáticos de boa qualidade deverão ser implementados no ensino público. Com isso, essas ações contribuirão para aproximar o mundo idealizado por Thomas More em sua obra “Utopia”.