Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2019

Os altos índices de evasão escolar no Brasil são uma realidade preocupante. Ao encontro dessa afirmação, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), apenas 76% dos jovens concluem o ensino fundamental e 58% terminam o ensino médio, o que revela a gravidade do problema. Nesse contexto, dois aspectos fazem-se relevantes para a alta evasão escolar brasileira: as metodologias educacionais retrógradas e a elevada incidência de gravidez na adolescência.

Primeiramente, cabe pautar que visão obsoleta de ensino no Brasil favorece o desinteresse dos alunos pela escola. Nesse viés, destaca-se a máxima do médico e escritor britânico, Alan Boune: “É possível guardar na mente um milhão de fatos e ainda assim ser totalmente sem educação”. Esse pensamento relaciona-se com sistema educacional anacrônico vigente, uma vez que, apesar de os alunos memorizarem vários conteúdos, a não associação do aprendizado com o cotidiano faz com que não se identifiquem com o que estudam. Isso é evidente, por exemplo, com o Exame Nacional do Ensino Médio, uma prova moderna, que propõem a interdisciplinaridade dos conhecimentos aplicados ao dia a dia, mas que, no entanto, não condiz sistemática de ensino das escolas brasileira.

Em segunda análise, os altos índices de gravidez na adolescência são igualmente fatores para os altos níveis de evasão escolar. Nesse sentido, segundo enquete do Ministério da Educação, a gravidez precoce é responsável por 18% da evasão escolar entre meninas. Com efeito, sabe-se que a gestação prematura, além de ser de risco, também é um fator propagador de pobreza para a geração seguinte. Isto é, a jovem mãe abandona os estudos, não acessa bons postos de trabalho e, consequentemente, tende a constituir uma família com poucos recursos. Políticas públicas de planejamento familiar, portanto, impactariam positivamente nos índices de evasão escolar.

Logo, cabe ao poder legislativo propor e aprovar, com o auxílio de estudiosos da área educacional, uma reforma no ensino médio que atenda as novas perspectivas do século 21, proposta no Exame Nacional do Ensino Médio, para que, dessa forma, desperte o reconhecimento e interesse dos jovens com o conhecimento e, simultaneamente, atenue a evasão escolar. Concomitantemente, cabe ao Ministério da saúde investir, mediante redistribuição tributária, em programas de prevenção à gravidez precoce, semelhante ao Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), afim de, assim, orientar os alunos sobre a importância do uso dos métodos contraceptivos para o planejamento familiar e para a continuidade dos estudos. Por conseguinte, a partir do conjunto de ações supracitadas, os índices de evasão escolar diminuirão.