Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
Thomas More, em sua célebre obra “Utopia”, descreve uma sociedade perfeita, na qual a esfera social padroniza-se pela ausência de problemas. Todavia, observa-se, no contexto vigente, o oposto ao que o autor aborda, uma vez que a evasão escolar no cenário brasileiro configura-se como um impasse, o qual compromete a realização dos planos de More. A perspectiva antagônica ocorre não só por causa do distanciamento familiar durante a formação estudantil, como também pela ausência estatal.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, da falta de apoio familiar. Devido à ignorância social, no que se refere à necessidade da escola na construção do indivíduo, é produzido na comunidade concepções errôneas a respeito da importância escolar. Sob o ponto de vista do filósofo Arthur Schopenhauer, os limites de visão de um indivíduo determina seu entendimento em relação ao mundo. Desse modo, se a comunidade não tem acesso à informações verdadeiras a respeito da importância do colégio na vida dos estudantes, sua concepção sobre o tema será delimitada, resultando, assim, na contribuição da disseminação da educação como algo desnecessário.
Outrossim, o descaso estatal associado à economia dos estudantes contribui para a permanência do empecilho. Sob a visão de Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar da população. Todavia, no Brasil, - em que a situação econômica desfavorável dos alunos, principalmente da camada mais pobre, obriga, de certa forma, a renúncia escolar para buscarem empregos e ajudar as despesas da família - é evidente o fracasso do Governo, no que tange à harmonia do corpo social. Em virtude do desinteresse do Poder Público para solucionar a problemática, o futuro dos discentes sem formação escolar será prejudicado, visto que esse grupo não qualificado buscará empregos informais - ou até mesmo criminosos - como forma de ajudar na renda do lar.
É possível defender, portanto, que adversidades governamentais e sociais constituem desafios a superar. Dessarte, o Ministério da Educação, em parceria com empresas privadas, deve indicar alunos - principalmente os mais pobres -, por meio de seleções, para trabalharem nessas empresas, com o intuito de receberem salários necessários para ajudarem as despesas da família sem precisar abandonar a instituição escolar. Ademais, o Poder Público deve promover campanhas publicitárias, por intermédio de canais de comunicação: televisão e redes sociais, a fim de conscientizar as famílias e sociedade sobre a importância de apoiar a esfera juvenil a concluir os estudos. Assim, e com medidas adicionais, será possível alcançar, de fato, a utopia de More.