Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2019

Para Max Weber, toda ação social tem uma intenção, sendo ela fundamentada em fins, valores, tradições, ou até emoções. No Brasil, a evasão escolar está vinculada à ação social baseada num objetivo, seja ele trabalhar para ajudar na renda familiar, ou lidar com a gravidez na adolescência. Contudo, essas escolhas ocasionam o aumento no índice de subempregos, assim como a interferência nas relações sociais.

Primeiramente, vale ressaltar que o direito à educação está proposto no Estatuto da Criança e do Adolescente e o seu desvio promove o subemprego. Nesse viés, a família é responsável por prover as condições necessárias para a efetivação desse direito. Entretanto, de acordo com Émile Durkheim, o fato social é exterior, geral e coercitivo. Por conseguinte, ambientes familiares menos abastados financeiramente influenciam os jovens a trabalhar mais cedo, visando o aumento na renda. Destarte, a evasão escolar brasileira pelo trabalho precoce gera o subemprego, uma vez que há a desqualificação profissional pela falta de estudo.

Ademais, a gravidez precoce também é um fator impulsionador da evasão escolar na realidade brasileira, tendo como efeito a baixa autoestima. Nesse contexto, para o filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, o maior peso da liberdade está na consciência do indivíduo em ter que arcar com as consequências das suas ações. Consoante a isso, ao esquecerem dessa responsabilidade, os jovens são forçados a abandonar os estudos para priorizar e manter as necessidades familiares. Assim, as pessoas acometidas por essa situação desenvolvem um sentimento de inferioridade, haja vista que elas sofrem com os preconceitos da própria faixa etária e da família.

Depreende-se, portanto, que a evasão escolar no Brasil ocorre em decorrência do trabalho e da gravidez na juventude. Nesse sentido, urge que o Conselho Tutelar invista na fiscalização das famílias, a fim de assegurar o direito à educação. Essa ação deve ser realizada mediante o emprego de funcionários em todas as regiões brasileiras, bem como a criação de projetos que efetivem a verificação dos jovens ativos educacionalmente de forma semestral. Além disso, é essencial que o Ministério da Educação execute palestras sobre a importância da contracepção. Elas podem ser efetuadas em escolas públicas e privadas, por meio da exposição da relação do abandono escolar com a baixa autoestima, e têm o fito de resgatar a consciência dos jovens quanto aos impactos da gravidez precoce. Desse modo, as ações sociais que intensificam a evasão escolar no Brasil podem ser combatidas.