Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 27/10/2019
De acordo com o filósofo inglês John Locke, o Estado, por meio de um contrato social, deve garantir à sociedade os direitos básicos, como a vida e o bem-estar social. Entretanto, quando se observa a frequente evasão escolar brasileira, percebe-se que a ideia de Locke é refutada, seja pela dificuldade -desnecessária- do conteúdo acadêmico, seja pela grande distância entre o aluno e a instituição de ensino. Desse modo, faz-se necessário analisar não somente as causas, como também as possíveis soluções para o impasse
Primeiramente, segundo o Fundo Monetário Internacional, o Brasil é nona maior economia mundial, entretanto, seu sistema educacional não é eficiente, tendo em vista que, conforme dados do IBGE, 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos não concluem seus estudos. Isso se deve ao fato de que o sistema vigente impõem como obrigatório no ensino médio conteúdos os quais, em países como os Estados Unidos, só seriam passados em nível superior. Por consequência, tem-se cada vez mais alunos desistindo dos estudos por serem obrigados a aprender algo além do básico e que não lhes será útil para suas futuras profissões. Dessarte, uma nova abordagem das autoridades diante desse problema é imprescindível.
Em segundo plano, é fundamental compreender a impassibilidade governamental perante o impasse. De acordo com Norberto Bobbio, filósofo Italiano, a dignidade humana é uma virtude pertencente ao ser humano e, por isso, o direito ao respeito e à consideração lhe é cabível por parte do Estado. Contudo, o poder público se faz ausente como executor de direitos fundamentais, posto que não garante a todos os alunos o devido acesso às escolas, pois, principalmente, na zona rural, muitos estudantes demoram horas para chegar no local de estudo, que se encontra bem distante de suas residências. Como consequência, tal fato culmina na desistência estudantil e torna inadmissível a continuidade desse quadro.
Em suma, percebe-se que medidas são necessárias para solucionar o óbice. Por isso, para impedir que o aluno perca a motivação de estudar, é preciso que o Governo Federal aliado ao Ministério da Educação (MEC) promova a reformulação dos conteúdos que devem ser passados em cada matéria, com o fito de manter somente o básico em todas as matérias, assim, o o conteúdo avançado só sera estudado por ele em uma faculdade ou curso superior à sua escolha. Para finalizar,a fim de encurtar as distância entre estudante e instituição de ensino e mante-lo estudando, é dever, ainda, do MEC construir mais escolas públicas em ambientes rurais. Espera-se, com essas ações, que a fase pueril opte por não abandonar os estudos e, ademais, a concretização das ideias de Locke.