Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2019
Ao contrário da visão positivista de Durkheim, Weber entende que os processos e fenômenos sociais são dinâmicos e mutáveis, os quais necessitam ser interpretados, para que se extraia deles o seu sentido. Dessa maneira, a evasão escolar e a realidade brasileira exigem uma discussão mais ampla sobre a falha socioestrutural que o problema representa, devido não só a negligência da população com o aumento dos jovens fora da escola, como também a falha do governo em garantir o direito à educação. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes pelas autoridades competentes para resolver essa problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a sociedade é fator determinante para a colaboração do quadro de crianças e adolescentes longe dos estudos. Nessa lógica, de acordo com o IBGE, a evasão escolar continua a afetar, sobre tudo, jovens na faixa etária de 15 a 17 anos. Sob esse âmbito, os adultos contribuem com a saída desse púbico a partir do momento em que observam os mesmos nos locais de trabalho, em horário escolar, e não acionam o Conselho Tutelar, órgão este responsável em zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente segundo o artigo 131 do ECA.
De mesmo modo, destaca-se a dificuldade do Estado em cumprir as leis sobre a cidadania. Logo, o governo não realiza a obrigação de oferecer ensino fundamental e médio para todos os brasileiros definido pela Constituição Federal de 1988. Em meio a isso, o jovem sem estudo apresenta uma maior possibilidade de desemprego propiciando ainda mais a desigualdade social. Portanto, de acordo com o filósofo e educador Paulo Freire, a educação é a maneira para transformar o mundo.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, financie campanhas educativas sobre evasão escolar, por meio de professores e assistentes sociais competentes, com o intuito de mostrar a sociedade os prejuízos que essa privação de ensino causa para o indivíduo e o país. Visando o mesmo objetivo, o MEC pode, ainda, oferecer disciplinas mais atrativas nas escolas, mediante sua inclusão na Base Comum Curricular, com o objetivo de trazer esse público cada vez mais inserido na educação. Espera-se, com isso, que o bem-estar dos envolvidos e o ganho social sejam concretizados.