Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/10/2019

Para o pensador romano Sêneca, “a educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”. Essa visão, ainda que correta, não é executada no hodierno cenário brasileiro, posto que se tornou frequente a evasão escolar no país. Dessa forma, a imobilização da sociedade e a baixa atuação das esferas governamentais permite a perpetuação do contratempo. Destarte, tais fatores devem ser analisados, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

A priori, é imperioso destacar que a evasão escolar está diretamente associada com a imobilização da população. Isso porque, mediante um cenário em que a educação não é prioridade na vida dos brasileiros, transfigura-se comum uma sociedade repleta de analfabetos funcionais, fato esse que também é ocasionado devido a evasão escolar. Nesse caso, boa parte dos alunos frequentam a escola com desfoque nos estudos e, logo, são aliciados por diversas atividades que são realizadas de forma irresponsável no âmbito escolar, tais como consumo de drogas ilícitas e até mesmo o tráfico de drogas, sendo comum a crescente infrequência escolar devido a realização dessas atividades e posterior evasão, sem a obtenção do aprendizado necessário. De acordo com dados do IBGE, no ensino fundamental, aproximadamente 75 mil alunos e 15 mil anos fumam, respectivamente, maconha e crack. Diante do exposto, é inadmissível que a sociedade continue negligenciando a educação no Brasil, visto que essa negligência traz graves consequências.

Ademais, a inação das esferas governamentais acentua a problemática. Assim, à falta de recursos necessários para a aplicação de aulas diariamente é uma realidade em diversas escolas públicas no Brasil. No maranhão, é comum os alunos não terem aulas devido à falta de merenda e de livros. No entanto, diversos adolescentes sofrem com a fome nesse Estado, sendo comum casos de alunos que dependem da escola para se alimentarem e conseguirem energia para prosseguirem até o dia seguinte. Dessa maneira, torna-se comum a desistência dos alunos de prosseguirem estudando, onde esses buscam saídas para sobreviverem, na maioria dos casos, recorrendo a empregos precários. Segundo dados do G1, 63% dos maranhenses acima de 14 anos não concluíram o ensino médio. À face do apresentado, é inaceitável que o Governo haja de forma irresponsável, já que esse deve garantir os recursos básicos para o fluir da educação, dever esse que se executado corretamente pode evitar a evasão escolar.

Em suma, são necessárias medidas que atenuem a evasão escolar. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que alcancem as escolas e os espaços públicos, ressaltando dados sobre a evasão escolar e as mazelas prolongadas que essa pode causar, objetivando, principalmente, a permanência dos alunos no ambiente escolar. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais justa e educada.