Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
A constituição vigente, promulgada em 1998, garante a educação básica como direito social. No entanto, à medida em que há evasão escolar no Brasil, esse direito não é assegurado. Isso se deve, principalmente, à realidade brasileira relacionada à pobreza; e traz malefícios não apenas individuais aos que evadem, como também sociais.
Inicialmente, a pobreza se mostra o principal agente segregador entre crianças e adolescentes em relação à escola. Segundo o sociólogo Karl Marx, a miséria é usada como um instrumento pelas classes dominantes. Nesse sentido, crianças em situação familiar de miséria e exploração são, por muitas vezes, obrigadas a abandonar os estudos para trabalhar em péssimas condições e ajudar no sustento da família. De acordo com dados do IBGE, existe um perfil de jovens que evadem da escola: baixa renda, negros e grávidas na adolescência; sendo os dois últimos também associados às condições financeiras, confirmando, então, essa causa central do abandono escolar.
Por conseguinte, o abandono escolar traz prejuízos tanto para o indivíduo que evadir, quanto para a sociedade como um todo. A primeira consequência evidente é o trabalho infantil, o qual impede o desenvolvimento físico e intelectual das crianças e, para além disso, constrói um ciclo social em que esses futuros jovens - por não terem uma formação educacional - se tornam adultos pobres que tendem a repetir o processo com seus filhos. Em uma das edições do ENEM, o tema trabalho infantil foi abordado como tema da redação, mostrando o assunto como problemática social, o que está diretamente associado com a pobreza e evasão da escola. Outra consequência é o analfabetismo, o qual embora tenha sido reduzido nos últimos anos, segundo o MEC, poderia ter uma taxa ainda menor com o controle dos jovens e crianças nas escolas.
É necessário, portanto, superar os desafios impostos pela realidade pobre do Brasil e garantir a conclusão escolar. A fim de garantir o direito à educação, urge que o MEC fiscalize as faltas constantes e abandono escolar por parte dos alunos e busque ajuda financeira do estado quando necessário para a família , por meio de um funcionário responsável por essa função em cada escola pública do país, que pode ser um profissional de serviço social, psicologia, psicopedagogia e afins. Além disso, esse encarregado deve procurar a família e incentivar o retorno da criança ou adolescente assim que ultrapassado um determinado número de faltas. Assim, em médio prazo, a taxa de evasão escolar será reduzida drasticamente, garantindo o direito constitucional brasileiro à educação.