Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/10/2019

Segundo o escritor irlandês Bernard Shaw,“Ninguém é melhor por ter nascido em determinado país ou família”. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto, uma vez que a evasão escolar e a realidade brasileira apresenta barreiras para concretizar esse pensamento. Desse modo, medidas sociopolíticas devem ser debatidas e compreendidas, haja vista que a educação reflexiva e o cumprimento constitucional são essenciais para contrapor essa problemática.

Nessa circunstância, é importante ressaltar a educação como um propulsor das mudanças sociais. Isso por que ela é responsável por desconstruir padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, refletidos  na evasão escolar e a realidade brasileira, já que o ensino formal, no Brasil, é deficitário e pouco prepara o cidadão no que tange ao senso critico para lidar com esse problema. Nessa perspectiva, segundo dados do IBGE, essa realidade é justificável, já que, por não haver uma grade curricular disciplinas de caráter reflexivo, mais de 1 milhão de alunos deixaram a escola sem, ao menos, terem concluído o ensino fundamental, no período compreendido entre 2004 e 2014. Desse modo, urge a necessidade de desenvolver a conscientização estudantil para que a problemática seja minimizada e, progressivamente, seja resolvida.

Outrossim, é indubitável que a transgressão à Constituição esteja entre as causas do problema. Nesse contexto, o filósofo John Locke afirma que a política deve ser usada para garantir o bem-estar da sociedade. Porém, é notável que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto fornecedor dos direitos mínimos, visto que não proporciona aos cidadãos os devidos serviços eficientemente, como educação, moradia, saúde e empregos. Essa lamentável condição de vulnerabilidade a qual encontram-se é percebida nos altos índices de gravidez na adolescência, crianças e adolescentes trabalhando em vez de estudar, falta de transporte escolar e alimentação irregular, quando inexistente, nas escolas públicas. Dessa forma, o Estado desconstrói a visão de um regime protetor, causando exclusão e, por conseguinte, violação entre do contrato social existente entre o indivíduo e o Governo.

Convém, portanto, medidas para reverter tal situação. Nesse contexto, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos às escolas para promover a formação de estudantes mais racionais, por meio de emendas, palestras, debates em grupo, a respeito do assunto, visando moldar o pensamento estudantil a cerca da evasão escolar e a realidade brasileira. Ademais, cabe ao Estado buscar financiamentos com países amigos para criar mais moradias, empregos, melhorar o estado físico das instituições de ensino público, pois ao fornecer o básico a sua população, os índices de evasão tenderão a diminuir. Só então, a igualdade retratada por Bernard Shaw, poderá ser alcançada.