Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 28/10/2019
No livro de 1960 da autora brasileira Carolina de Jesus- Quarto de despejo: Diário de uma favelada-, a protagonista abdica de estudar devido à falta de oportunidades e, ainda, a necessidade de trabalhar para sustentar seus filhos. Hodiernamente, no Brasil, o cenário é o mesmo, principalmente relacionada a cidadãos que possuem baixa renda. Assim, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz. Em primeiro lugar, é indubitável destacar a importância da educação como ferramenta de ascensão social. Segundo Malala - influente ativista-, a educação é o maior investimento a longo prazo. Entretanto, no Brasil, diversos fatores relacionados a deficiência financeira da maioria da população impedem o acesso à educação. Exemplo disso são estudantes, desprovidos de condições básicas –alimentação e moradia adequadas- previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que são coagidos socialmente a trabalharem para garantir sua sobrevivência no sistema capitalista. Logo, é substancial a dissolução dessa conjuntura. Outrossim, é imperativo pontuar a precariedade do sistema de ensino público brasileiro. Além da falta de estrutura adequada e de meios de transporte na maioria das instituições, é válido ressaltar, ainda, o conservadorismo presente desde a criação das escolas no Brasil até os dias de hoje nas formas de transmitir conhecimento aos alunos. Segundo enquetes realizadas pelo site “G1”, através de plataformas virtuais, apontou-se como uma das causas relacionadas a baixa frequência dos estudantes, em sala de aula, a falta de interesse gerada por insatisfatórias abordagens feitas pelos professores. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa esfera de forma urgente. Depreende-se, portanto, a necessidade de diminuição da evasão escolar. Para tanto, o Governo juntamente a empresas privadas ligadas à educação, poderiam promover a implementação de projetos sociais, para adolescentes com baixa renda, como por exemplo: contribuições financeiras ou empregos conectados diretamente ao desempenho dos estudantes em sala de aula, que se correlacionassem com a idade e ano estudantil do aluno, a fim de melhorar seu desempenho sem prejudicar a frequência escolar. Além disso, mídias de grande alcance poderiam difundir campanhas baseadas em métodos modernos de ensino, realizados por pesquisadores, com intenção de motivar educadores a uma reformulação de suas táticas de ensino. Para que assim, se possa alcançar maior interesse por parte dos alunos em aprender e se manter na escola. Quiçá, assim, tal hiato reverter-se-á, sobretudo, na perspectiva tupiniquim, fazendo com que o Brasil possa enfim se dissociar da realidade do Quarto de despejo vivida por Carolina nos anos 60.