Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
O sociólogo francês Émile Durkhein afirma que, “O papel da ação educativa é formar um cidadão que tomará parte do espaço público, não somente o desenvolvimento individual do aluno”. Nessa perspectiva, sanar a evasão escolar ainda presente na sociedade brasileira pode, não somente contribuir com mais oportunidades para o indivíduo, mas também contribuir com a sociedade como um todo. Entretanto, casos de gravidez na adolescência e a necessidade de ajudar nas despesas familiares, são fatores que corroboram com a problemática da evasão.
A priori, é visto que um dos motivos que levam jovens brasileiros à evasão escolar, dentro do público feminino, é a gravidez indesejada durante a adolescência. Esse fato é evidenciado por uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde, onde revela que o Brasil é o país com maiores índices de gravidez na adolescência na América Latina. Como consequência, a maior parte dessas meninas abandonam os estudos e, com isso, se submetem a subempregos para conseguirem o sustento. Esse fato, a longo prazo, pode ser o responsável por manter essa jovem na linha da pobreza, tornando precária a situação de vida da mãe e da criança.
Outrossim, indo contra a Constituição Federal de 1988, que garante a “Educação de todos como dever do estado e da família”, muitos jovens de comunidades carentes encontram-se fora do âmbito escolar, para poderem trabalhar e ajudar nas finanças da família. Assim, adolescentes desistem de seus sonhos, motivados a levar uma ajuda financeira para seus lares. Prova disso, é visto na pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, em que 33% dos jovens fora da escola alegam a necessidade de trabalhar para o sustento próprio e de sua família. Evidenciando, que medidas devem ser tomadas, também, na geração de renda.
É imprescindível, portanto, que haja a diminuição da evasão escolar na sociedade. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, promover palestras e rodas de conversa a respeito da educação sexual, ensinando para os jovens sobre os meios contraceptivos e mostrando as responsabilidades trazidas por uma gestação, visando uma maior conscientização e possível diminuição de ocorrências. Ademais, cabe ao Governo Federal, através de políticas públicas, gerar um crédito estudantil para alunos de escolas públicas de baixa renda, a fim de evitar que os alunos troquem os estudos pelo mercado de trabalho precocemente. Assim, seguindo o pensamento de Durkhein, o espaço público será transformado pelos futuros cidadãos.