Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
Na obra “Vida Secas”, de Graciliano Ramos, discorre a realidade de uma família sertaneja que passa por muitas dificuldades no campo -pois tiveram que abandonar a escolar para “sustentar” a família. Fora da ficção, hodiernamente, o cenário brasileiro encontra-se em uma realidade semelhante ao da obra literária. Tendo em vista que, a evasão escolar traz efeitos negativos para a sociedade, logo, o capitalismo exacerbado e o difícil acesso a escola, são fatores que contribuem com a situação atual. Dessa forma, gera-se prejuízos no meio social.
É notório que, o capitalismo exacerbado é um dos causadores da problemática. Segundo a teoria de Zygmunt Bauman: Modernidade Líquida, a sociedade contemporânea tem como principais características, a falta de empatia e o individualismo. Analogamente, as indústrias, visando a obtenção do máximo lucro monetário; realiza a “contratação” de jovens que ainda não terminarão os estudos, por julgarem ser “mão de obra barata”, estendendo-se uma extensa carga horária de trabalho. Em decorrência disso, parte da juventude do país -por não possuir uma condição financeira suficiente para sobreviver, acabam cedendo a essas condições e abandonam a vida escolar.
Ademais, o difícil acesso à escola também contribui para a problemática. Já que, desde o Governo Juscelino Kubitschek, o Brasil tem se voltado bastante para o crescimento econômico, porém, a educação tem ficado um pouco de lado. Paralelamente a isso, são poucas as escolas que o país possui, sendo comparado com a quantidade de crianças e adolescentes. Outrossim, as escolas estão localizadas nos centros das cidades e os jovens da periferia não tem condições para se deslocar até esses locais. Consequentemente, como mostra um pesquisa feita em 2018, pelo portal de notícias “G1”, 62% dos jovens não conseguem concluir nem o ensino fundamental. Diante disso, pode-se perceber o conflito que a nação brasileira está vivendo.
Em suma, é mister que o Estado tome providências para atenuar o quadro atual. Para consolidar uma educação para toda a população brasileira, urge ao Ministério da Educação, elaborar, por meio de verbas governamentais, um levantamento dos jovens que passam por dificuldades financeiras e ofertar uma quantia mensal para esse público, tendo como condição a assiduidade nos estudos, respectivamente, realizar a fiscalização das indústrias que exploram o trabalho infanto-juvenil, estabelecendo multas para quem desenvolver essas ações. Além disso, criar mais escolas no meio periférico do país, que nesta ordem, irá surgir um número maior de vagas e uma facilidade no acesso aos centros educativos. Somente assim, pode-se mudar a realidade descrita na obra de Graciliano Ramos e o futuro do Brasil terá um crescimento educacional.