Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/10/2019

Segundo pesquisa realizada pelo IBGE, no Brasil, quatro a cada dez pessoas de até 19 anos não concluíram o nível médio, dentre elas, metade não terminaram o ensino fundamental. Desse cenário apresentado, compreende-se que, no país, a formação educacional ainda é aquém do ideal, o que faz emergir discussões acerca das causas para tal, destacando-se o infeliz fenômeno da evasão escolar que já ganhou notabilidade por ser parte da realidade estudantil. Nesse sentido, torna-se vital adotar uma postura de repúdio a essa prática e buscar revertê-la, tendo em mente tanto os danos causados aos estudantes e à sociedade, quanto os impactos positivos em impedir sua perpetuação.

No que concerne ao primeiro ponto, é relevante salientar que a evasão escolar acarreta em consequências futuras e danosas aos que por vontade ou necessidade recorrem a ela. Para elucidar esse ponto, cabe trazer o pensamento do psicólogo Daniel Goleman, o qual afirma que, ao participar de programas que desenvolvem a aprendizagem e a inteligência emocional, o aluno desenvolve atitudes pró-sociais. A partir disso, infere-se que, ao evadir-se da sala, o aluno abre mão de desenvolver tal postura pró-social, o que estimula o desenvolvimento de cidadãos despreparados que não sabem se portar corretamente frente a conflitos sociais inerentes à vivência em coletividade. Assim, aqueles que, por não participarem da aula, não estão ancorados na formação social, ficam desalentados e perdidos.

Já em relação ao segundo ponto, é coerente destacar o caráter construtivo e progressista o qual o combate a prática da evasão escolar possibilitaria alcançar. No tocante a essa questão, é prudente atentar-se ao que defende o filósofo David Hume, segundo o qual, qualquer um que remover barreiras e obstáculos ou abrir novos caminhos e perspectivas da via do saber e da ciência deve ser considerado um benfeitor da humanidade. Posto isso, observa-se que, enquanto a realidade brasileira marcada pela ingerência e abandono escolar seja um caminho desviante e prejudicial, lutar para reverter essa condição representa uma carga de benfeitoria, capaz de promover transformações sociais com a ampliação da cidadania e o enfrentamento de desigualdades sociais históricas vivenciadas no Brasil.

Defronte ao apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas hábeis de superar os desafios impostos pela evasão escolar no país. A respeito disso, o Ministério da Educação, por ser o órgão responsável por zelar pela educação pública e coordenar ações a nível nacional, deve desenvolver um pacto nacional da educação básica, com ênfase em associar os jovens às escolas. Isso pode ser feito por meio de parcerias com estados e municípios, interiorização da educação básica e diálogo entre as escolas e a comunidade para evitar o desaparelhamento e ingerência. Tudo isso com o objetivo de formar um trabalho contínuo capaz de fixar os jovens na escola, evitando, desse modo, a evasão.