Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2019

Esclarecimento para todos

Immanuel Kant afirmou que somente o esclarecimento é capaz de tirar o ser humano do seu estado de ignorância. Portanto, conclui-se que a educação é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade sadia. Todavia, no Brasil, mais de 40% dos jovens não concluem o ensino médio até os 19 anos, segundo um estudo do Movimento Todos pela Educação. O Estado deve, então, combater essa alta taxa de evasão escolar no país, a qual está diretamente relacionada à desigualdade social e à difícil situação do ensino público brasileiro.

Nesse contexto, relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que a nação brasileira é uma das mais desiguais do mundo. Segundo o sociólogo Jurgen Habermas, isso é resultado de um processo sócio-histórico, uma vez que as instituições sociais, responsáveis pelo controle da sociedade, sempre foram dominadas por uma elite econômica que impôs uma regulação social excludente, sem buscar incluir minorias políticas, como os mais pobres. Logo, muitas crianças nascem e crescem em meio à miséria e têm de optar pelo trabalho em detrimento dos estudos.

Outrossim, as escolas não possuem recursos para implementar mudanças que atraiam os alunos.  Para ilustrar, em 2016 foi instituída a PEC 55, medida de austeridade econômica que determinou um teto sobre os gastos públicos por 20 anos. Assim, de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), a educação sofrerá uma perda de 20 bilhões de reais, ou seja, 350 milhões de reais por ano. Isso significa que as instituições públicas de ensino terão dificuldades em implementar novas tecnologias em sala de aula, e o seu poder atrativo será extremamente limitado.

Destarte, é fundamental que o Poder Pública aja em duas frentes. Primeiramente, o Ministério da Economia deve propor um reforma tributária que faça com que a alíquota efetiva de imposta passe a variar de acordo com a renda de cada indivíduo. Desse modo, os mais ricos serão mais tributados e os mais pobres menos onerados, o que, segundo o Instituto de Justiça Fiscal (IJF), diminuiria a desigualdade e arrecadaria mais de 80 bilhões de reais por ano. Em segundo lugar, com a quantia arrecadada, o Ministério da Educação deve criar uma parceria com a “startup” Arco Educação, referência em tecnologia educacional no país, e implantar o sistema de ensino da instituição, que conta com computadores, “tablets” e um programa de capacitação em informática, em todas as escolas públicas do Brasil. Com essas duas medidas a evasão escolar diminuirá e muitas pessoas poderão alcançar o esclarecimento proposto por Kant.