Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 29/10/2019

Na obra “A Cidade do Sol”, Tomás Campanella idealiza uma cidade onde os seus habitantes têm suas necessidades essenciais supridas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira, infelizmente, não condiz com as ideias do escritor, mormente se ter em conta o grandioso número de estudantes irregulares por evasão escolar. Esse quadro encontra suas origens tanto na esfera política quanto na esfera social, devendo ser alvo de discussão, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primordialmente é crucial pontuar que o problema em foco é oriundo da má execução dos direitos previstos por lei. Segundo John Locke, o estado é resultado de uma convenção humana e tem por finalidade garantir os direitos individuais, como a educação. Devido à baixa atuação das autoridades, nota-se, especialmente na população de baixa renda, carência de recursos essenciais para a permanência do discente na instituição escolar, como transporte escolar gratuito. Assim, essa parcela de alunos cuja moradia seja longínqua do ensino estudantil, não detêm dinheiro para se locomover, culminando evasão escolar. Essa postura estatal de negligência é reiterada pela pesquisa Aprendizagem em Foco, a qual mostra que, os estudantes com nível fundamental incompleto por evasão têm renda média familiar menor do que a metade de um salário mínimo.

Paralelamente a isso, é relevante apontar o elemento social como promotor da incontinuidade da parcela juvenil no âmbito escolar. De acordo com Norbert Elias, as práticas sociais são produzidas e reproduzidas através do fluxo constante da vida em sociedade. De modo análogo, é possível a comparação com a realidade brasileira, à medida em que, os pais de alunos economicamente vulneráveis tiveram que trabalhar desde cedo na vida para ajudar nos ganhos familiares. Dessa forma, tais parentes tendem a pressionar os filhos para iniciar o esforço laboral antes do término do período escolar, os fazendo colocar a remuneração em detrimento da educação. Entretanto, as repercussões são desastrosas para os jovens, uma vez que terão poucas oportunidades no mercado de trabalho.

Fica clara, portanto, a necessidade de medidas exequíveis para combater a problemática no país. Dessarte, com o fito de atenuar a evasão escolar, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na criação de um programa de transporte escolar gratuito, o qual usará dados geográficos das moradias de alunos de baixa renda, para garantir a locomoção à escola. Além disso, para esses discentes, o capital remanescente será convertido em Bolsas Permanência, de valor inversamente proporcional à renda, enquanto os pais os mantiverem regulares, a fim de que não os pressionem a trabalhar. Dessa maneira, a coletividade pode, um dia, alcançar similitude com o modelo social descrito por Campanella.

Dessa maneira, minuir-se-á com a progressão temporal, a incidência da depressão entre os jovens no país e a coletividade alcançará similitude com o modelo social descrito por Campanella.