Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 29/10/2019
Parafraseando a primeira lei newtoniana, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, infelizmente, o hodierno cenário da evasão escolar: uma inércia que perdura em detrimento de gestações na adolescência, além do escasso aparato aos deficientes. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa realidade brasileira.
Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas à gravidez precoce não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, tal conjuntura se apresenta, majoritariamente, pela escassa informação disponibilizada pelo ambiente escolar sobre métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis e a importância de se evitar descendentes na adolescência. Além do mais, o filósofo Aristóteles afirmava que a educação capacita o homem para a sociedade; entretanto, com a crescente evasão escolar, infere-se que os estudantes não consigam absorver todo o conhecimento científico e de mundo que fora, antes, planejado no currículo escolar, promovendo em indivíduos pouco habilitados às relações que serão submetidos em meio ao corpo social.
Sob outro prisma, faz mister, ainda, salientar que Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, relatou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: o atual cenário da falta de especialização dos educadores perante aos deficientes é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Por conseguinte, as escolas, local onde os portadores de necessidades especiais deveriam receber o pilar para a sua formação educacional e o acolhimento social, tornar-se-á mais um impasse, propiciando em uma realidade cada vez mais segregacionista. Com isso, essa fração da nação se mostra desestimulada e desacreditada, fomentando no seu abandono e impulsionando na formação de um problema social com dimensões cada vez maiores.
Destarte, são necessárias medidas que combatam a realidade debatida precedentemente. Sendo assim, o Ministério da Educação deve implementar na base curricular de todas as escolas a disciplina de “Educação Sexual” - que proporciona conhecimento e esclarece dúvidas sobre a sexualidade -, promovendo na democratização de informações entre os jovens, a fim de desmitificar tal assunto como um tabu e promover a redução de gravidez precoce. Aliado a isso, é necessário que o Governo Federal invista em cursos profissionalizantes que instruam os docentes em como se portar ante aos deficientes, proporcionando uma educação eficaz e de qualidade. Somente assim, serão alcançadas forças suficientes que rompam a inércia proposta por Newton.