Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2019

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da evasão escolar e a realidade brasileira. Nesse sentido, torna-se evidente como causas a insuficiência de leis e o silenciamento.

Em primeira análise, a insuficiência legislativa mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, verifica-se a ausência de leis na questão da evasão escolar e a autenticidade brasileira, já que, em locais como a zona rural o défice de transporte escolar para levar as crianças para a instituição de ensino é notório, visto que elas devem caminhar bastante para chegar nas escolas, além da falta de infraestrutura no ambiente de ensino, cujo muitos alunos criam uma insatisfação de continuar estudando. Assim, sem a presença de uma lei que acabe com o problema, dificulta a sua intervenção.

Além disso, a evasão escolar encontra terra fértil no silenciamento. Nesse sentido, Jurgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, percebe-se uma lacuna no que se refere a questão, que ainda é muito silenciada em meios como a própria escola, a mídia e a casa do jovem, lugares onde o diálogo é escasso e, quando ocorre, se dá por meio de linguagem autoritária, na maioria das vezes. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo de forma empática amplamente aumentaria a chance de  atuação nele.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Como solução, é preciso que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Infraestrutura junto com o Governo Federal será revertido em mais transportes escolares, que pegará o aluno na porta de casa para que não precise se locomover muito, além de fazer reformas nas escolas, dando um maior conforto nas salas de aula. Outrossim, é necessário que as escolas, em parceria com a prefeitura , promovam um espaço para rodas de conversas e debates sobre a evasão escolar, podendo ocorrer no período extraclasse, contanto com a presença de pais, professores e especialistas no assunto. Em suma, é preciso que aja sobre o problema, pois, como defendeu Simone de Bevouir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.