Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2019

O poema “No meio do caminho”, do escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, revela, de forma metafórica, a existência de obstáculos no percurso humano. Paralelamente, a evasão escolar tornou-se uma pedra no caminho da sociedade vigente, haja vista que impede o pleno funcionamento da educação na realidade brasileira. Esse cenário antagônico é fruto tanto da precária condição econômica familiar do aluno, quanto da falta de estímulos pelo estado para garantir a periodicidade escolar desse indivíduo. Nesse sentido, analisar os frutos e as raízes dessa problemática é medida que se faz imediata.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a evasão escolar deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no tocante à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira), o ensino médio lidera com 11% os alunos fora da escola. Sob tal ótica, percebe-se a ineficácia da metodologia de ensino atual, sendo uma das causas do desinteresse de muitos estudantes que, por sua vez, abandonam os estudos. A aplicação dos conteúdos de forma exagerada e cansativa, no ensino médio, se tornou alvo de queixas pelos alunos, pois eles não conseguem acompanhar o ritmo das aulas e, por consequência, os sentimentos de impotência e improdutividade, relativo aos estudos, assolam esses estudantes. Em vista disso, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a pobreza como impulsionadora das evasões escolares. É notável que os alunos desse quadro são, majoritariamente, de regiões pobres e segregadas do território nacional e, portanto, devido a essas condições precisam escolher entre manter-se nos estudos ou abandonar a escola para trabalhar, muitas vezes de maneira informal, e ajudar financeiramente sua família. Outrossim, em alguns casos essa situação torna-se mais preocupante, visto que a ascensão no mercado de trabalho exige, hegemonicamente, a formação de ensino fundamental ou médio completos, logo, sem esse preparo, muitos se envolvem na criminalidade, pois obtém remunerações maiores do que o comércio pode oferecer de acordo com seu nível de formação escolar.

Portanto, o Ministério da Educação (MEC), deve instituir nas escolas, projetos inclusivos para que os alunos sejam participantes no ambiente escolar e não meros coadjuvantes. Outra medida eficaz, seria a reformulação da estrutura pedagógica, tangente a conteúdos programáticos mais objetivos. Além disso, o Estado deve expandir os cursos técnicos voltados ao mercado de trabalho em todas as escolas públicas e, também, criar bolsas de estágio para os indivíduos em situação de vulnerabilidade social. Desse modo, os alunos perceberão a importância da educação no processo de formação dos indivíduos, pois de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele.