Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 01/11/2019
Apesar de se basear no preceito positivista de “ordem e progresso”, o Brasil vem enfrentando adversidades no que tange à evasão escolar e a realidade brasileira, que, frente à ineficácia de recursos para extingui-la, persistem no parâmetro social brasileiro. Nesse viés, dois aspectos se fazem relevantes: as desigualdades no nível socioeconômico da população brasileira, bem como a gravidez precoce que atinge boa parte dos adolescentes.
A priori, vale resaltar que, existe um perfil fixo para identificar os grupos mais vulneráveis à evasão precoce. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a faixa etária de 15 a 17 é a que reside o principal problema, na qual, há 1,7 milhões de jovens fora da escola. Dentre os jovens nas idades citadas acima, em 2014, 52% não concluíram sequer o ensino fundamental, os quais também detêm a menor renda média por morador, cerca de 436 reais ao mês. Essas proporções são maiores entre negros do que entre brancos e isso se deve à marginalização crescente, desde o Brasil colônia, da população negra nacional por meio da escravidão que ocasionou em atrasos significativos nos âmbitos sociais. Atrasos esses que refletem até os dias de hoje quando um jovem se ver na obrigação de sair da escola para trabalhar e ajudar na renda familiar.
Além disso, outra característica marcante do grupo de jovens que parou de estudar precocemente é a elevada taxa de gravidez entre adolescentes. Do total de 1,3 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola sem Ensino Médio concluído, 610 mil são de mulheres. Entre essas mulheres que abandonaram a escola precocemente, mais de um terço delas (o equivalente a 212 mil) já eram mães. Esses dados sinalizam que precisa-se imediatamente da interferência preventiva dos governos e escolas a fim de atenuar essa problemática que atinge e causa tantos danos à vida de muitas adolescentes no cenário atual brasileiro.
Urge portanto que, medidas devem ser efetivadas a fim de mitigar os impactos causados pela evasão escolar no parâmetro social brasileiro. Desse modo, as escolas devem promover um calendário escolar mais extenso e não se restringir só ao âmbito escolar, deve-se fazer um acompanhamento ao estudante fora da escola com a intenção de debater e resolver os possíveis obstáculos que os impedem de se manter na instituição e concluir todos os anos letivos. Além disso, cabe aos pais e/ou responsáveis legais dos jovens, manterem-se sempre antenados nas reuniões escolares e estimularem seus filhos à participar e colaborar com as atividades no ambiente escolar. Dessa forma, garantir-se-á o combate à evasão dos alunos nas escolas e fará jus ao pensamento de Auguste Comte de “ordem e progresso”.