Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2019

O célebre filme “Freedom Writers” — baseado em fatos reais de Los Angeles — remonta a nova metodologia de ensino da professora de inglês que ressignificou a vida de seus alunos problemáticos, incentivando-os a se formarem. Fora do cinema, esse panorama deplorável se perpetua, sobretudo no Brasil — que enfrenta os problemas de uma nação emergente. Nesse sentido, a desmotivação escolar — defluente de um modelo educacional retrógrado — bem como a persistente desigualdade social contribuem para a manutenção dessa nefasta prática, a evasão escolar.

Em primeira análise, é necessário destacar a falta de motivação gerada pela constante dinâmica vertical da relação professor e aluno. Segundo a Unicef, um em cada quatro alunos brasileiros tem dois ou mais anos de atraso escolar. A esse respeito, fica evidente que o baixo desempenho associado ao desinteresse estudantil é absoluto para o abandono escolar, com 15,1% em Alagoas de acordo com o Censo Escolar 2016. Destarte, a conservação de um ensino apenas conteudista, sem a valorização do aluno por inteiro e de seu projeto de vida, é fatal para o seu futuro bem-estar social.

Outrossim, a fragilidade socioeconômica tão presente no cenário nacional é taxativa para a exclusão escolar. Conforme dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o nordeste possui a menor taxa, 56,1%, de jovens que concluíram o ensino fundamental. Acerca disso, majoritariamente regiões com os maiores índices de vulnerabilidade econômica, por exemplo, o desemprego, possuem mais jovens evadidos de instituições de ensino, como retrata a película. Em vista disso, ações do Poder Público para a plena inclusão de alunos trabalhadores são essenciais para a transformação de suas vidas e a garantia de seus direitos como cidadãos.

Impende, portanto, que a desistência de uma formação é extremamente prejudicial para o indivíduo. Com isso, cabe aos gestores municipais de educação alterarem a dinâmica escolar, por meio de vivências — cinedebates, visitas guiadas e semana cultural — como fez a professora de Los Angeles. Essa iniciativa tem o fito de atribuir novo significado para a educação, estimulando a permanência no ambiente escolar. Além disso, o Ministério da Educação deve implementar aulas noturnas em toda a rede de ensino público, de modo a assegurar a possibilidade de conciliar estudos e trabalho. Assim, a triste realidade, bem resgatada no famoso filme, será mitigada.