Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
Na saga Harry Potter, os estudantes deparam-se constantemente com situações incomuns e desafiadoras nas aulas. Fora da ficção, no contexto brasileiro, a realidade é outra: é preocupante o número de jovens que abandonam os estudos no meio, seja por desinteresse em relação ao que é ensinado ou pelo baixo investimento estatal em infraestrutura e salário dos professores. Assim, faz-se necessário analisar as causas de fenômeno a fim de superá-lo.
Antes de tudo, cabe pontuar que a falta de engajamento nos estudos aumenta o risco de abandono. Acerca dessa premissa, o filósofo Paulo Freire, desenvolveu o conceito de modelo bancário de educação, o qual seria um modo antiquado de ensinar, mas ainda muito presente no Brasil. Os estudantes que aprendem por esse modelo são vistos como meros espetáculos de informação, sem poder de questionamento. Portanto, essa passividade pode ser entendida como a semente do desinteresse, o qual, em última instância, é um dos fatores que provocam a evasão escolar, elevando a chance do jovem precisar trabalhar desde cedo, sem perspectiva de mudança de um futuro próximo.
Ademais, é evidente que a infraestrutura precária das escolas e os baixos salários dos professores são também fatores de repulsão. A título de ilustração, o documentário “Pro dia nascer feliz” expõe o contraste entre alguns centros educacionais públicos e privados. Por meio de entrevistas, fica claro como o baixo investimento do Estado, não só na estrutura física dos locais, mas na própria remuneração dos docentes, reforça o desinteresse desses profissionais para com o ensino. Consequência disso são aulas superficiais para a maioria dos jovens e a lamentável proliferação de assentos vazios nas aulas ao longo do ano.
Desse modo, percebe-se que a causa da evasão escolar não é o aluno, mas sua relação com o professor, a qual muitas vezes sofre influência do Estado. Para mitigar esse problema, é necessário que o Ministério da Educação aumente os investimentos destinados a educação e a revitalização das escolas e ao salário dos professores.Com uma estrutura adequada de ensino, os docentes serão finalmente estimulados a exercer com qualidade sua profissão. O mesmo ministério poderia, ainda, firmar contratos com a mídia, para propagar conteúdos de estudo em sala de aula, a fim de reforçar o aprendizado. Assim, o nível das aulas se elevará junto com o interesse dos alunos pelo conteúdo, é estudantes engajados não serão apenas cenário de ficção.