Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2019

Segundo o escritor brasileiro Içami TIba, para ocorrer um êxito na formação escolar o adolescente precisa sentir que participa da construção do seu conhecimento. Lamentavelmente, essa não corresponde à realidade brasileira, a qual conta com o inúmeros impedimentos para o exercício da educação - falta de infraestrutura nas escolas, de professores e de investimentos -, esses fatores contribuem para o acentuado processo de evasão escolar. Nesse sentido, é urgente que esse fenômeno seja combatido pelos seus impactos, tanto sociais como humanos.

Em primeiro lugar, cabe destacar que a carência da escolaridade é um fator que impede a satisfatória ascensão social por não fornecer condições suficientes para tal fim. Para elucidar essa ideia, é possível remeter ao que fala o historiador Yuval Harari, em sua obra “Homo Deus”, o qual, a partir de estudos das sociedades no século XXI, conclui: “hoje, a principal fonte de riqueza é o conhecimento”. Com base nesse pensamento, infere-se que jovens evadidos são injustamente privados de desenvolver suas habilidades cognitivas e de prosseguir com conquistas acadêmicas. Consequentemente, uma conjuntura deficitária como essa dificulta o progresso do país ao não produzir cidadãos com conhecimentos técnicos ou científicos para ocuparem as novas funções decorrentes desse, teórico, crescimento. Logo, essa saída de estudantes dos colégios afeta diretamente à dinâmica da sociedade brasileira, a qual almeja o sucesso.

Em segundo lugar, vale ressaltar que uma entidade educacional estimula a criação de laços sociais. Desse modo, é triste notar que quem se evade tem suas habilidades sociais não desenvolvidas, ou seja, complexifica as interações humanas que seriam proporcionadas pelas escolas. Dessa maneira, é inegável que esse processo deve ser reprovado por privar a evolução de competências de comunicação e, assim, poder garantir a ocorrência do fato que aponta o patrono da educação brasileira, Paulo Freire: “educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

Portanto, é urgente pensar em medidas para mitigar essa problemática. Para isso, os governos estaduais - por serem o órgãos responsáveis pela execução das diretrizes nacionais com uma gestão que atenda às demandas locais - devem criar projetos que incluam às necessidades das escolas públicas. Essas ações podem ser: regularização do pagamento dos professores, reformas nas salas de aula e espaços extraclasse, como quadras e refeitórios, e, ainda, garantia do fornecimento de água e merenda. Isso pode ser feito por meio de ações articuladas com o Governo Federal, o qual garantirá subsídios financeiros para tal.Com efeito,os alunos se sentirão estimulados a frequentarem os colégios.