Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
O filme Tropa de Elite, além de expor como é a vida violenta nas favelas, demostra a discrepância de privilégios dados aos jovens que moram próximos aos centros urbanos e os que moram na periferia. Nesse sentido, fica evidente que a marginalização cria barreiras que intensificam a evasão escolar pois, pela precarização do ambiente, desmotiva jovens de todo Brasil.
Em suma, a segregação socioespacial, no país, vem estruturando ao longo do tempo mecanismos que favoreçam aos jovens da periferia sua desistência em relação aos estudos. O sociólogo Pierre Bourdieu chama esses mecanismos de Opressão Simbólica, onde são favorecidos os jovens aos quais puderam usufruir de repertorio cultural fornecido pelos familiares. Portanto, teatros, cinemas e museus acabam por beneficiar aqueles que moram próximos.
Ademais, como efeito das vantagens econômicas, em maioria, os que ingressam em universidades públicas são adolescentes derivados de escolas particulares. Segundo dados do jornal da Universidade de São Paulo, somente 40% de seus estudantes vieram da rede pública de ensino.
Destarte, tendo em vista que a segregação socioespacial e opressão simbólica intensificam a evasão escolar. É necessário que os Governos Estaduais, em parceria com o Ministério da Educação se mobilizem a respeito, renovem as escolas sucateadas das periferias, integrem os áreas marginalizadas por meio do transporte urbano e construam grades curriculares que se adequem ao “capital cultural” dos subúrbios para fornecer aos estudantes aulas que estejam adequadas a sua realidade. Portanto, por meio desses mecanismos de adaptação, o país atenderá a pluralidade de suas regiões, tendo baixas na evasão.