Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
De acordo com a Constituição Federal de 1988, o ensino fundamental é obrigatório para crianças e adolescentes com idade entre 6 e 14 anos. Contudo, ao contrário do que a legislação prevê, essa não é a realidade dos jovens brasileiros. Nesse sentido, a evasão escolar se faz presente na vida de muitos, por motivos como necessidades financeiras, que os levam a busca por um trabalho remunerado, e a falta de apoio de seus familiares.
De fato, por muitas vezes as condições precárias, no que diz respeito a questão monetária, levam ao abandono das instituições de ensino e a procura por uma forma de garantir sua alimentação diária. Em consonância, a obra “Capitães da Areia”, escrita por Jorge Amado, retrata a vida de moradores das ruas de Salvador. A partir disso, um dos principais personagens – chamado de Professor -, mesmo apaixonado pelos estudos, se vê diante de uma realidade miserável, na qual precisa dedicar todo seu tempo na busca por dinheiro, a fim de assegurar sua sobrevivência. Nesse viés, não distante da ficção, assim também acontece na prática, tendo em vista a enorme desigualdade social do país. Segundo dados divulgados pela OXFAM, os 5% mais ricos do Brasil, em conjunto, recebem mensalmente a mesma quantia que os outros 95% de brasileiros, dados alarmantes que, infelizmente, explicam a pretensão pelo trabalho infantil.
Além disso, a falta de motivação dos alunos também os leva a desistência escolar. Em conformidade com a situação, o filósofo John Locke afirma que o ser humano nasce como um papel em branco e molda seu caráter com seu crescimento e com os estímulos que recebe de seus genitores. Destarte, torna-se inegável a influência de pais ou responsáveis na evasão escolar dos menores, pois, se esses não forem incentivados ao estudo, consequentemente terão menor desempenho no ambiente educacional.
Assim, cabe ao Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação (MEC), investir em melhorias nas instituições que oferecem ensino fundamental, como ofertar café da manhã e jantar pra crianças carentes, de modo que essas não precisem trocar a escola pela alimentação. Outrossim, a mídia, em conjunto com psicólogos, deve criar campanhas, em redes sociais, que mostrem a importância da presença familiar na escola, por meio de publicações interativas capazes de alertar os responsáveis sobre os problemas da evasão escolar. Dessa forma, a legislação brasileira, no que diz respeito às crianças e adolescentes, há de ser cumprida com precisão.