Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, as rápidas transformações da sociedade promovem o enfraquecimento dos vínculos sociais e a gênese de uma “crise de consciência coletiva”. Dessa forma, o corpo social adoece e atinge o estado anômico, em que as patologias sociais são originadas. Analogamente, nessa mesma linha de pensamento e como produto desse processo, emerge a evasão escolar no Brasil. Nesse contexto, não só a gravidez precoce, mas também a violência escolar são responsáveis pela persistência e sustentação dessa realidade no país.
Em primeiro plano, é importante evidenciar que a gestação na adolescência é prejudicial ao desenvolvimento escolar, visto que o educando não consegue dar continuidade aos seus estudos. Assim, torna o aprendizado desestimulante e, consequentemente, favorece a evasão escolar. Nesse cenário, suas expectativas de formação e inserção no mercado trabalho são reduzidas. De acordo com uma pesquisa, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao diminuir os anos de estudo, a probabilidade de conseguir um bom emprego é reduzida. Somado a isso, o país também sofre, pois perde um futuro trabalhador, o que contribui para a diminuição do aproveitamento dos cidadãos brasileiros no setor econômico.
Por outro lado, a violência no âmbito estudantil, como o bullying, principalmente, nas escolas públicas, fortalece a perpetuação dessa intempérie, dado que causa medo nos estudantes. Por esse ângulo, o filósofo Michel Foucault, promove uma análise de que as relações de poder e seus mecanismos são meios para coercitividade, disciplina e controle do indivíduo. Assim, proporcionam ações discriminatórias, práticas frequentes de violência, surgimento de problemas psicológicos e de exclusão social. Nessa perspectiva, o jovem não vai mais assistir aula por temor de ser agredido e tem seu rendimento escolar comprometido, dessa maneira, perde aulas, provas e é prejudicado futuramente.
Infere-se, portanto, que a gravidez na adolescência e a violência escolar, mormente, o bullying, são fatores prejudiciais ao tecido social brasileiro. Nesse sentido, a fim de mitigar essas adversidades, a princípio, o Ministério da Educação deve capacitar os profissionais da área da educação para combater esses males, por meio de cursos e palestras com autoridades no assunto, como a pedagoga Cléo Fante e a escritora e especialista em educação sexual Caroline Arcari, a fim de informar a população sobre como acontece os problemas supracitados e de como amenizar eles, com o propósito de reduzir a evasão escolar atual. Somente assim, com a aplicação dessas ideias, será possível, por conseguinte, curar o adoecido “corpo biológico” durkheimiano e promover, assim, a justiça social.