Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
No filme “Escritores da Liberdade”, uma jovem professora, ao começar a lecionar em um bairro pobre, se depara com um ambiente tomado pela violência, falta de interesse dos educandos e sintomas da desigualdade social. Neste contexto, para evitar a evasão escolar dos alunos, essa profissional altera seus métodos de ensino, de modo que os alunos se sintam inclusos e confiantes. Infelizmente, o Brasil não vem conseguindo enfrentar o abandono escolar como essa professora. Isto é, uma melhora social fica impossibilitada devido ao fato de que muitos alunos optam por sair da escola. Ademais, as instituições de ensino não propiciam a devida inclusão e desenvolvimento pessoal do aluno.
Em primeiro lugar, deve-se entender a gravidade deste problema no país. Segundo o PNAD de 2015, há mais de 86 mil alunos fora da escola entre 15 e 17 anos. Tais números expressam uma manutenção da desigualdade, haja vista que com o baixo nível de escolaridade, esses indivíduos irão encarar maiores dificuldades para a ascensão social, mormente em relação ao mercado de trabalho.
Outrossim, o conteúdo transmitido nas instituições de ensino não cumpre o papel de inserir o adolescente na sociedade e na prática da cidadania, pois deixa-se em foco a evolução profissional em detrimento da pessoal. Consoante o disposto no Art. 53 do ECA, o objetivo da educação é desenvolver o indivíduo em todos os seus aspectos, não apenas em sua função. Porém, as escolas nacionais seguem o caminho oposto.
Portanto, o Ministério da Educação, por meio de mudanças na grade curricular, deve criar atividades que incentivem a inclusão do aluno e, consequentemente, o desenvolvimento de sua cidadania. Por exemplo, atividades em grupo semanais, nas quais os educandos compartilham suas dificuldades e como se veem na sociedade. Tal atitude diminuiria não só a evasão escolar, como também a desigualdade social, afinal, como aponta Paulo Freire: “A educação não muda o mundo, a educação muda as pessoas e pessoas mudam o mundo”.