Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
Na música “Cota não é esmola”, da cantora brasileira Bia Ferreira, há uma exemplificação do drama vivenciado diariamente pelos jovens da periferia. Nesse sentido, a narrativa da canção protagoniza a evasão escolar de uma jovem negra, por falta de compreensão no ambiente escolar e por conta da sua situação financeira. Paralelamente, é indubitável que essa questão reflete completamente a realidade do Brasil, uma vez que a escola se torna menos convidativa, não só por conta da situação de vulnerabilidade socioeconômica desses indivíduos, como também pela precariedade do sistema público de ensino. Diante disso, medidas são necessárias para resolver essa problemática.
A princípio, nota-se a pobreza como um dos impulsionadores do abandono acadêmico. Segundo os estudos feitos pelo IBGE e pelo MEC, os jovens de baixa renda, em sua maioria negros, compõem a grande parte que trocam com frequência os estudos por um trabalho precário. Assim, é possível atribuir esse cenário à uma crise estrutural do Estado, já que o país se encontra na 79ª posição dos IDHs mundiais e um dos critérios de avaliação para esse “ranking” é o acesso ao conhecimento e um padrão de vida decente. Desse modo, é possível verificar o descaso do governo quanto à população carente e a urgência de clamar-se por mudanças.
Por conseguinte, cabe salientar também, a escassez de atratividade dos locais de ensino: é notória a necessidade de um ambiente mais acolhedor. De acordo com o diplomata Bejamin Franklin, investir em conhecimento rende sempre os melhores juros, contudo, essa esfera, no Brasil, tem sido alvo de enorme negligência administrativa. Ainda no primeiro trimestre de 2019, o Ministério da Educação sofreu um congelamento de gastos de 5,8 bilhões de reais, consoante o UOL. Concomitante a isso, faz-se inviável a possibilidade de evoluir essas unidades acadêmicas, o que reflete no aumento do bullying, da alienação, do desleixo em adquirir conhecimento e da empatia com os alunos.
Logo, infere-se que medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação e da Cultura (MEC), direcionar recursos para a efetivação do projeto de retorno dos estudantes evasivos, além de propagar a importância do conhecimento para os cidadãos. Para isso, o MEC deve amparar as pessoas com vulnerabilidade econômica, por meio do incremento de capital ao Bolsa Família e assistência em recursos básicos previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Dessa forma, o Brasil estará no caminho rumo à colocação de país desenvolvido, o que possibilitará uma melhora em todos os aspectos do país e, consequentemente, da qualidade de vida dos seus moradores.