Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2019

A população escrava não tinha acesso à educação. As crianças, até certa idade, participavam da vida social na Casa Grande. Após isso, passavam, a ser utilizadas no trabalho escravo, crescendo distantes da educação das letras e dos números. Paralelamente, no cenário brasileiro atual, observam-se desafios conquanto a evasão escolar. Esse panorama antagônico, é fruto tanto da falta de interesse dos alunos, quanto de questões socioeconômicas como o trabalho precoce. Diante dessa perspectiva, torna-se fundamental a discussão desses aspectos para o pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que, a falta de interesse e motivação dos alunos em frequentar a escola, acirrada pela defasagem no ensino público, corroboram ainda mais para esse quadro insatisfatório. Outrossim, de acordo com dados do Portal de Notícias G1, 1 em cada 4 crianças evade ainda no ensino fundamental, enquanto quase metade não termina o ensino médio, destaca-se, assim, a passividade do Estado em garantir a educação básica de seus cidadãos. Lê-se, portanto, como nociva, a percepção de que, em um país em pleno desenvolvimento como o Brasil, um pilar tão fundamental como o aprendizado, seja negligenciado, pois é apenas por meio do conhecimento que barreiras sociais impregnadas desde o Período Colonial, serão superadas.

Além disso, a necessidade de muitos alunos em largar os estudos para trabalhar e ajudar no sustento de duas famílias, evidencia a estrutura economicamente desigual que permeia o tecido coletivo. Analogamente, para a filósofa alemã, Hannah Arendt, educar é acolher os jovens em um mundo que existe antes de seu nascimento, mas que será renovado pelas novas gerações. Dessa forma, ao agravar essa problemática do processo pedagógico, compromete-se também, a qualidade de ensino e os direitos de gerações futuras em detrimento das mazelas das gerações atuais, que são, de certa forma, ignoradas.

Destarte, é mister que o Estado tome providências para atenuar o panorama vigente. Portanto, urge que o Ministério da Educação, destine parte de suas verbas para a criação de programas de incentivo financeiro que auxiliem alunos carentes em sua permanência na jornada estudantil. Além do mais, faz-se imprescindível que o Governo produza uma reforma na grade curricular e invista na preparação dos professores por meio de palestras e cursos, com isso, deve-se suscitar o interesse dos jovens  em dar procedência nos estudos. Espera-se, assim, que os índices de evasão escolar venham a diminuir, em busca do progresso da nação e da superação de entraves que assolam a parcela menos favorecida da sociedade desde a escravidão, vivenciada em séculos passados.