Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/10/2019

O filósofo alemão Immanuel Kant defendia a ideia de que o homem não é nada além do que a educação faz dele. Essa máxima pode ser, inclusive, comprovada numericamente, visto que pesquisa divulgada pelo Banco Mundial em 2018 mostra significativa correlação entre anos de escolaridade e renda de um indivíduo no futuro. Nesse contexto, torna-se urgente combater os altos números de evasão escolar no Brasil. Tais índices são ocasionados, sobretudo, pela marcante pobreza enfrentada por boa parte da população brasileira, além da opção por propostas pedagógicas inadequadas feita por muitas escolas.

Primeiramente, é necessário compreender o cenário socioeconômico no qual vários jovens brasileiros em situação de pobreza estão inseridos, como aponta o economista, chefe do instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros. É comum que, em famílias com dificuldades financeiras, adolescentes sejam inseridos precocemente no mercado de trabalho, de modo a complementar a renda familiar. Em sequência, vários jovens decidem priorizar a atividade laboral em prol dos estudos, por entender que assim terão maiores chances de alcançar uma autonomia financeira - culminando, por fim, no abandono da escola. Contudo, o problema é que, nesses casos, por não ter investido tempo no aprimoramento de suas habilidades, o jovem pode acabar dependendo para sempre de trabalhos de baixa remuneração, agravando sua situação de pobreza.

Ademais, contribuem para os altos índices de evasão escolar os modelos pedagógicos escolhidos por grande parte das escolas. É comum alunos não se sentirem acolhidos, especialmente aqueles advindos de contextos socioemocionais e econômicos conturbados. Por isso, é crucial que as escolas recebam e deem voz ao jovem, incentivando o protagonismo juvenil. Por fim, pela falta de flexibilidade e esforços para se tornarem mais atraentes e adequadas às necessidades dos alunos, as escolas não conseguem engajá-los de maneira suficiente a prevenir a evasão - um processo que, na maioria das vezes, inicia-se pela falta de interesse do aluno, de acordo com os dados do Banco Mundial.

Conclui-se, portanto, que, tendo em vista o pleno desenvolvimento dos jovens - por meio da educação, como defendia Kant - é necessário diminuir o número de evasões escolares no país. Para tal, o Governo Federal, por meio do Ministério da Cidadania, deve criar um programa de auxílio financeiro para estudantes do Ensino Médio - o período que concentra as maiores taxas de evasão - enquanto estejam cursando-no regularmente. Precisam ser contemplados todos os estudantes da classe E, a menos abastada do Brasil. O objetivo é amenizar as necessidades financeiras das famílias desses estudantes e permitir que eles possam concluir os estudos sem precisarem trabalhar.