Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2019

Desde a constituição de 1934, formulada durante o governo provisório de Getúlio Vargas, o Estado tem o dever de garantir a instrução escolar de qualidade e gratuita para a população. Entretanto, a contemporaneidade, caracteriza um intenso aumento no índice de evasão escolar, reflexo da inserção precoce no mercado de trabalho e da gravidez na adolescência.

Em primeiro lugar, é importante destacar que consoante ao pensamento do filósofo Theodor Adorno, a educação é a principal propulsora da emancipação humana. Nesse contexto, ao o jovem precisar priorizar o trabalho em detrimento dos estudos, esse passa a parar de adquirir autonomia de pensamento e torna-se vulnerável, uma vez que de acordo com a Agencia Brasil, o salário médio de uma pessoa que não possui o ensino médio completo é de 45% de um salário mínimo, com isso salienta-se que há uma grande chance do indivíduo se inserir de modo precário no mercado de trabalho.

Outrossim, vale ressaltar que apesar do Brasil ter presenciado, nas últimas décadas, uma redução da taxa de fecundidade nas famílias, um projeto de vida antes da maternidade, ainda não é uma realidade nacional. Segundo uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas em 2017, o índice de gravidez na juventude chegou a quase 70% no Brasil,e é uma das causas que pressupõe o afastamento de meninas do colégio, pois quando surge uma gravidez precoce, aumentam as responsabilidades da mulher. Em consequência, evidencia-se a falta de uma perspectiva de um futuro que tenha o estudo e a carreira profissional como meta.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para mitigar a evasão escolar brasileira, urge que os Governos Estaduais em parceria com o Ministério da Educação e Cultura crie, por meio de verbas governamentais, saraus, em colégios de ensino médio,abertos para as famílias dos estudantes, que difundam a importância da educação. Assim será possível construir uma sociedade mais autônoma e dessa forma promover a libertação humana, como Adorno afirmava.