Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2019
No livro “Utopia”, do pensador inglês Thomas More, é descrita uma sociedade impecável, na qual o tecido social se uniformiza pela inexistência de contratempos. Contudo, o que se verifica na situação hodierna é o oposto da retração do escritor, uma vez que a evasão escolar aponta obstáculos no Brasil, os quais atrasam a materialização das concepções de More. Esse contexto adverso é resultado tanto da negligência governamental, quanto dos casos de bullying. Então, torna-se essencial a discussão desses pontos, a fim do amplo desempenho da coletividade.
Em primeira abordagem, é fundamental destacar que o abandono escolar procede da ineficaz atividade dos setores governamentais no que se refere à geração de meios os quais aproximem o jovem à sala de aula. Segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população; no entanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, somada à distância da escola à casa do aluno, nem todos estudantes têm acesso aos transportes escolares, sendo este um dos motivos mais frequentes da evasão escolar, de acordo com uma pesquisa realizada pelo site Veja. Assim, faz-se necessária a remodelação dessa conduta para assegurar o objetivo estatal hobbesiano.
Outrossim, é impreterível salientar o bullying como impulsionador do impasse. Nesse sentido, evidencia-se o ocorrido na cidade de Suzano, onde dois jovens vítimas de perseguição dos colegas abandonaram os estudos e realizaram um massacre na escola. Partindo desse pressuposto, associa-se a evasão escolar ao bullying sofrido pelos garotos, apesar deste raramente vir acompanhado de consequências homicidas. Logo, essa perseguição entre os estudantes adia a resolução do imbróglio e colabora para continuidade desse cenário nocivo.
Destarte, entende-se que a evasão escolar brasileira é fruto de outros problemas sociais. Com o escopo de mitigá-la, urge que o Governo, na figura do Ministério da Infraestrutura e do Ministério da Educação, direcione capital para intensificar o transporte escolar e o combate ao bullying. A intensificação será feita por meio do aumento da frota de ônibus escolares, os quais terão os últimos assentos reservados e isolados acusticamente para que psicólogos contratados pelo Governo atendam alunos vítimas de bullying no caminho para escola. Por fim, surgirá um contexto propício para atenuação, em médio e longo prazo, dos efeitos deletérios do impasse, bem como a comunidade se aproximará da Utopia de More.