Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2019

O documentário “Meninas” retrata garotas menores de idade em processo de gestação, sendo que parte significativa delas e dos garotos que as engravidaram abandonam o âmbito escolar. Visualiza-se na obra que a evasão escolar consiste em um problema de interesse público, que tem seu cerne tanto na gravidez precoce dos jovens quanto na falta de interesse na escola, sendo fulcral combate aos casos para mitigar a emblemática.

A falta de interesse dos jovens, materializada na ausência de estímulos e projeções de futuro, explica o atraso na educação. Sob esta ótica iminente, dados da pesquisa realizada em dois mil e catorze pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relata que desinteresse consiste na segunda maior causa de evasão, sendo trabalho a primeira. Nesse âmbito, as instituições de ensino devem fomentar no estudante o estímulo a busca por conhecimento e auxiliar no ingresso ao ramo laboral, evitando a saída precoce do meio estudantil.

Gravidez na adolescência e infância implica no abandono escolar de meninos e meninas na busca por sustento e, sem a devida qualificação, porcentagem significativa se encontra em condições degradantes de trabalho ou associados ao crime. Consoante a isso, segundo dados também da pesquisa do IBGE, onze milhões e duzentos mil indivíduos entre quinze e vinte e nove anos são “nem-nem” (“nem estudam, nem trabalham”). Nesse sentido, a gravidez precoce corrobora para a crise mercadológica na busca por profissionais qualificados e aumento dos índices de violência pelo crime visto que acentua a evasão.

Portanto, visando minimizar os índices de gravidez e, por conseguinte, os de evasão por gestação e trabalho, postos de saúde devem acompanhar os jovens e esclarecer a iniciação na vida sexual, adequando o discurso para as condições socioeconômicas e faixa etária, por intermédio de visitas nos domicílios, realizadas semanalmente. Ademais, o Ministério da Educação precisa orientar os jovens das oportunidades fornecidas pelo estudo, motivando a permanência na escola, por meio de modelos de ensino voltados para aprendizagem com criticidade e associado a cursos técnicos, com o fito de cumprir o Plano Nacional da Educação e aumentar as chances de ingresso no mercado, revelando na prática razões para a conclusão e não abandono do curso. Somente assim casos como os do documentário Meninas podem estar apenas na história e não mais no presente.