Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
Para a filósofa Hannah Arendt, quando um problema ocorre constantemente, a sociedade para de vê-lo como errôneo. Nesse sentido, a evasão escolar sofre da banalização das suas consequências para o indivíduo, visto que, por muitas vezes ocorre pela falta de interesse dos próprios alunos pela escola, o que pode ocasionar no acentuamento das diferenças sociais, pois, com a diminuição da escolaridade, muitas pessoas tendem a recorrer a subempregos mal remunerados.
Precipuamente, é imperioso destacar que, segundo Aristóteles, a função política do Estado é garantir a prosperidade do indivíduo. Entretanto, não é o que observa-se no hodierno cenário social brasileiro, no qual há um descaso governamental a assuntos como os baixos índices de conclusão no ensino médio, que segundo dados do Índice Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chega a apenas 19% entre alunos de 17 anos. O que pode ser visto com a falta de projetos que visam reverter essa problemática.
Ademais, vale ressaltar que entre os motivos que levam a desistência escolar, o desânimo pelos estudos chama atenção pelas suas raízes. Uma vez que, segundo pesquisa do IBGE, a maior parte desses casos se encontram em famílias de baixa renda, que, por sua vez, já possuem outros casos semelhantes. Dessarte, pode-se dizer que a tendência em abandonar a escola é maior se o exemplo já foi dado. O que pode ser explicado pelo conceito de habitus, do sociólogo Pierre Bourdieu, por meio do qual os indivíduos visam repetir os valores repassados por gerações, perpetuando-se nas baixas rendas, caso o problema não seja combatido.
Assim, para evitar o acentuamento das diferenças de classe e os altos índices de evasão escolar, cabe ao Ministério da Educação, por meio da capacitação de agentes sociais, buscar as famílias que comportam tais casos, para prestar apoio psicossocial e estimular o rompimento com o desinteresse gerado pelo habitus, assim como a volta dos jovens para a escola. O que os tornaria, futuramente, livres dos subempregos.