Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
O romance modernista “Capitães de areia” de Jorge Amado traz um retrato social de sua época, com a história de jovens que vivem à margem da sociedade, moram no trapiche, não vão à escola e não possuem qualquer tipo de assistência social. Assim, trazendo esse contexto para a realidade brasileira atual, vê-se na evasão escolar um indicativo da segregação social e da ausência do Estado, semelhante ao que ocorre na obra.
De fato, o contexto no qual a criança ou o jovem vive é um grande influenciador para um maior índice de evasão, prova disso é o estado de Alagoas ser o que apresenta maiores índices, segundo dados divulgados pelo Profissão Repórter. De maneira que, a condição alagoana e de outros estados do nordeste, também é acompanhada por altos índices de violência, de pobreza, dentre outros. Por esse viés, pode haver o desestímulo da ida à escola pelo medo da criminalidade ou pela necessidade de trabalhar para auxiliar na renda familiar.
Por outro lado, a máxima de Rosseau tem sido negligenciada, pois, segundo ele, o Estado deve garantir o bem estar social, o que na prática não ocorre. Nesse sentido, além do que foi supracitado, o que vislumbra-se são escolas públicas muitas vezes precárias, que seguem uma estrutura de ensino engessada no molde bancário, citado por Paulo Freire, no qual o aluno é mero ouvinte e não coparticipante do processo de aprendizagem, o que não o valoriza. Concomitantemente, em sintonia com esse sistema estagnado, há a falta de humanização nas escassas iniciativas pela busca do aluno que evade.
Em suma, a situação vigente é resultado de um contexto social e do posicionamento Estatal que corrobora para a permanência da problemática. Portanto, é preciso que o Estado se una ao Ministério da Educação, ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e aos profissionais competentes da área, para que haja o direcionamento consciente dos recursos para a melhora da escola e do ensino. De modo que, tudo isso ocorra em parceria com as redes de ensino e os alunos, buscando, por meio de fóruns, a reunião de ideias com professores e diretores, para buscar o aluno e trazê-lo ao meio a que pertence. Somado a isso, é crucial que haja o fortalecimento do policiamento, sobretudo nas áreas escolares, por meio do direcionamento de policiais para as áreas de maiores riscos. Só desse modo a história de Jorge Amado será apenas fictícia.