Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
A educação brasileira, em pleno século XXI, permanece em uma crise sistemática caracterizada por condições de ensino distantes das ideais, garantidas pela Constituição Federal. Entre as questões mais preocupantes encontra-se o elevado índice de evasão escolar, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse ínterim, há uma parcela vultuosa de crianças e jovens que evadem do âmbito escolar por fatores diversos.
Em primeiro plano, destaca-se que determinados grupos de crianças e jovens apresentam dificuldade na locomoção da zona rural até à escola, uma vez que muitas vezes as vias e os veículos são precários. Ainda que seja proibido legalmente, salvo na condição de aprendiz, parte do abandono escolar efetiva-se em decorrência da inserção no mercado de trabalho. Tal atitude, além de prematura é absurda, visto que concretiza-se sem formação técnica e em detrimento do progresso do conhecimento técnico-científico.
Ademais, nota-se que na juventude há maior risco de exposição à drogas lícitas e ilícitas, bem como à gravidez precoce em virtude da dificuldade de compreender racionalmente essa fase de transformações. Assim, conforme defendido por Émile Durkheim, faz-se necessário o apoio da família e da escola sendo fontes de fortalecimento e integração desses indivíduos na sociedade.
Outro fator preponderante que influencia na evasão escolar atinge os alunos com déficit de aprendizagem. Apesar de ser direito previsto na Lei de Diretrizes Básicas da Educação, o atendimento educacional especializado (AEE) em salas de recursos, não raro deixa de ser colocado em prática, sendo que as crianças e jovens com a respectiva dificuldade tornam-se desmotivados.
Portanto, há necessidade de implantação de políticas públicas que garantam a dignidade das famílias sem ferir os direitos de acesso à educação contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Tais políticas devem ser realizadas pelas secretarias de desenvolvimento e assistência social dos municípios por meio de programas de apoio e acompanhamento aos membros familiares, fundamentalmente no sentido de promoverem aos responsáveis legais, qualificação profissional e melhor gerenciamento de renda, bem como certificarem a frequência escolar.Também as secretarias de educação e de saúde devem ofertar campanhas preventivas, quanto ao uso de drogas e à gestação precoce. Em relação aos atendimentos em salas de recursos, o Ministério da Educação em conjunto com as secretarias estaduais e municipais deverão garantir o atendimento com a contratação de mais profissionais especializados, assim como firmar parcerias com universidades e organizações não-governamentais engajadas no processo de aprendizagem escolar.