Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2019

De acordo com o filósofo Marquês de Mauá, os homens em sociedade são como pedras numa abóbada, resistem e ajudam-se simultaneamente. Todavia, quando se remete esse pensamento para o moderno panorama brasileiro, vê-se severamente a necessidade de reduzir a evasão escolar, já que isso pode afetar a economia negativamente e contribuir para o avanço da desigualdade social. Nessa conjuntura, encontram-se barreiras em virtude de questões socioeconômicas e educacionais.

No contexto relativo, vale ressaltar o abandono escolar devido a baixa renda familiar. Segundo o IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-, em 2017 a pobreza atingia 54,8 milhões de pessoas, principalmente das regiões norte e nordeste, corroborando com o escape de jovens das escolas, com o intuito de trabalhar e ajudar a família financeiramente. Assim, o cidadão acaba se tornando um trabalhador informal, pois não possui qualificação, aumentando a desigualdade social. Esse panorama é evidenciado pelo portal de notícias G1, que apresenta as regiões supracitadas com as menores taxas de formação de estudantes. Logo, faz-se crucial a reformulação do cenário atual.

Outrossim, é importante salientar a falta de atrativos oferecidos pelo ambiente escolar, isso porque, o ensino no Brasil ainda é transmitido de professor para aluno de forma arcaica. Consoante ao filósofo Rousseau, a educação tem que despertar o interesse do aluno, porém, para que isso ocorra ela deve ser interativa e dinâmica. Desse modo, o não cumprimento do pensamento de Rousseau contribui com o abandono acadêmico, visto que aulas experimentais nas disciplinas de química, física e matérias interdisciplinares como educação tecnológica não estão inseridas na grade curricular dos centros educandários.

Destarte, é mister que o Estado repare a problemática. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, responsável pelo ambiente educacional, e o Ministério da Economia, disponibilizar a redução de impostos para empresas privados que ofertarem vagas de trabalho para jovens entre 15 e 20 anos que comprovarem suas matrículas no ensino regular. Tal medida tem como objetivo reduzir o índice de fuga dos ambientes escolares por motivos econômicos. Somente assim, os homens em sociedade expostos pelo Marquês de Mauá ajudar-se-ão.