Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/10/2019

Na série “Todo Mundo Odeia o Cris”, o personagem principal, Cris, retrata a dificuldade da dualidade de rotina entre trabalhar e estudar, de um jovem negro e pobre, residente na cidade de brooklyn, nos Estados Unidos; que diariamente sofre racismo na escola e que por diversas vezes pensa em desistir dos estudos. Fora de ficção, é inegável que o personagem interpretado por Tyler James corresponde ao atual fato social que transita na sociedade brasileira: a evasão escolar. Dessa maneira, ressalta-se a ineficiência estatal em promover a equidade de educação para todos, bem como a desigualdade social como impulsionadores do problema.

Na perspectiva jurídica, o ideário republicano de educação para todos está contido no artigo 6 da constituição vigente. Entretanto, o dispositivo legal encontra-se distante da efetivação; uma vez que segundo os dados do Instituto Unibanco, mesmo com o crescimento percentual( de cinco para dezenove por cento entre os anos de dois mil e quatro e dois mil e quatorze) de jovens que terminaram o ensino médio; cerca de um milhão e trezentos mil adolescentes deixaram a escola. Nesse sentido, surge o cenário caótico vivenciado na contemporaneidade, o qual se retrata os nefastos crescimentos de índices criminais em torno da população jovem.

Outrossim, à luz da antropóloga Alba zaluar, a desigualdade social é determinante para os problemas incrustados na sociedade. Nesse viés, a evasão escolar em detrimento das dificuldades financeiras traz à baila as fúnebres mazelas sociais, como a prostituição e a necessidade imediata de ingressar no mercado de trabalho. Por consequência disso, é incontestável o abalo socioeconômico na vida dos menores, visto que em uma era a qual se vivencia o Meio-Técnico-Científico-Informacional, cuja a demanda é a especialização na área de trabalho, a tendência de quem não completar o ensino médio é ser marginalizado nas áreas do setor empregatício.

Destarte, é imperioso que o poder executivo- principal órgão responsável pelos interesses públicos-, atue na criação de mais escolas de tempo integral, aliado a bolsas de estudos para conciliar nas dificuldades econômicas na rotina dos estudantes carentes; por meio de investimentos financeiros possibilitados pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, as quais representam as prioridades governamentais, com o fito de promover a efetivação de educação para todos pregada da constituição de 1988.