Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
Um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire afirmava que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouca a sociedade muda”. Entretanto, a evasão escolar representa um obstáculo que dificulta a efetivação de que esse filósofo consta. Assim, faz-se profícuo analisar a negligência estatal, no que tange a infraestrutura da escola, bem como o desinteresse do aluno como pilares fundamentais da problemática.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, da falta de infraestrutura escolar. Segundo o artigo 205 da Constituição Federal, a educação, direitos de todos e dever do Estado e da família. Em contrapartida, é perceptível que essa não é a realidade no Brasil, uma vez que o sistema de transporte escolar é escasso e precário. Nesse sentido, tal situação contribue para que o aluno não tenha o acesso à escola, sobretudo esses que são das áreas rurais e periferias urbanas. Lê-se, portanto, como nociva a percepção de que em um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos como o Brasil, o Estado é omisso no que diz respeito a educação, papel dessa como agente inibidor do desrespeito à condição cidadã.
Outrossim, é lícito postular a falta de interesse dos alunos como alicerce do entrave. Nessa perspectiva, o formato educacional brasileiro contribue para tal contexto, visto que insiste em tratar o aluno como passivo e em considerar o professor o único detentor do conhecimento. Dessa maneira, esse cenário corrobora para o abandono escolar e a inserção precoce e sem qualificação dos jovens no mercado de trabalho, tornando-os supérfluos. Sob esse viés, o sociólogo polonês Zygmant Bauman em seu livro “Vidas Desperdiçadas”, o destino dos supérfluos é serem refugados para as margens da sociedade. Diante disso, é inaceitável que mesmo com o alto índices de jovens fora da escola o Estado não promova uma formação qualificada dos profissionais da educação para diminuir os danos.
Portanto, indubitavelmente, medida são necessárias para resolver a problemática em questão. Cabe ao Ministério da Educação - órgão governamental responsável pela promoção de ações educativas- ampliar as ofertas de cursos de qualificação de professores e gestores educacionais por meio de palestras e debates sobre a importância de diversificar o ensino nas escolas a fim de aumentar a dinâmica na sala de aula e o interesse do aluno. Desse modo, garantir-se-á o combate à evasão escolar.