Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
“No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho”. Os versos do poema de Carlos Drummond de Andrade, retrata, de modo figurado, os contratempos que o ser humano enfrenta em sua jornada de vida. Analogamente, nota-se que a evasão escolar representa um obstáculo na sociedade brasileira, seja pela educação arcaica, e mecanizada, seja pela omissão familiar. Diante disso, torna-se imprescindível analisar essas causas, a fim de atenuar o impasse.
Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que a educação arcaica e mecanizada, deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais ocorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, o ensino se apresenta para os alunos de maneira primitiva e repetitiva nas salas de aula, devido o despreparo dos lecionadores de criar uma aula dinâmica e descontraída. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é válido ressaltar a omissão familiar como promotor do problema. De acordo com a Constituição Federal de 1988, Art. 227, é dever da família, da sociedade, e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à educação, à saúde, entre outros. Partindo desse pressuposto, é de suma importância a participação da família no desenvolvimento da educação do jovem, no entanto, muitos pais que sobrevivem em situações econômicas difíceis, e não enxergam uma saída, por conseguinte, não impedem que seus filhos deixem o ambiente escolar para ir trabalhar. Com isso, é notório que os maiores casos de abandono escolar é proveniente de pessoas mais carentes. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, uma vez que a negligência familiar contribui para o aumento desse quadro deletério.
Diante do exposto, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Por isso, com o intuito de mitigar a evasão escolar, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em programas profissionalizantes, e por meio dessa qualificação será realizada uma reformulação do ensino, a fim de deixar ele mais atrativo, e dinâmico para que os jovens se interessem e vejam a escola como uma oportunidade de formação de conhecimento, e não como perca de tempo. Dessa maneira, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo que evasão escolar causa na sociedade.