Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
Promulgada em 1988, a Constituição Brasileira assegura a todos os indivíduos educação de qualidade e bem-estar social. No entanto, no contexto hodierno, nota-se que o problema da evasão escolar tem tornado-se mais recorrente, impulsionado pela negligência estatal no que se refere a infraestrutura escolar, além dos dilemas externos dos estudantes, ligados a fatores econômicos. Desse modo, convém analisar as consequências e possíveis medidas para amenizar esse problema.
Em primeiro lugar, a falta de investimentos governamentais na melhoria da infraestrutura escolar fomenta a ocorrência dessa adversidade. Nesse contexto, a superlotação das salas de aulas, bem como a apatia dos educadores, propiciada pela desvalorização econômica da profissão, no que tange o ensino à leitura e à aprendizagem da escrita, convergem para a ocorrência da evasão escolar. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do Contrato Social, visto que o Estado é negligente por não garantir a legitimação de um direito constitucional: a educação.
Não obstante, as condições econômicas dos estudantes levam ao crescimento da evasão escolar. Em muitos lares, crianças e adolescentes abandonam o ambiente escolar para contribuir na renda familiar. De maneira análoga ao filme O Menino que Descobriu o Vento, Malauí, em meio a pobreza do seu país, sente-se instigado a mudar a realidade de seu vilarejo através da educação. Contudo, no prisma educacional brasileiro, mediante as condições sobreditas das instituições escolares, os alunos não encontram-se estimulados à aprendizagem, e recorrem às ruas como tentativa de ascensão social e mudança individual. Em decorrência disso, muitos destes submetem-se a trabalhos informais, e, nos casos mais graves, encontram no crime subsídios para a sobrevivência e ajuda econômica, aguentando de maneira significativa a violência na sociedade.
Diante dos dados supracitados, faz-se mister medidas para mitigar esse imbróglio. Dessa forma, o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação, deve investir na ampliação e melhoramento da infraestrutura escolar, de modo a ampliar as salas de aula, ofertar cadeiras confortáveis para os alunos, incentivar, por meio do aumento salarial, a qualificação dos professores. Assim, os estudantes e o corpo docente sentir-se-ão acolhidos pelo ambiente escolar, e, dessarte, contribuirão para o desenvolvimento do sistema de ensino brasileiro, promovendo uma educação de qualidade ratificada pela Constituição. Por conseguinte, o infortúnio da evasão escolar irá cessar gradativamente.