Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
‘‘Fora de série", documentário produzido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), desvela o relato de treze jovens que resolveram abandonar a escola por motivos exteriores e inferiores à escolarização. Contemporaneamente, a realidade de evasão escolar no Brasil se agrava de maneira crescente por fatores diversos, reafirmando as cenas do documentário. Com efeito, o inadmissível quadro de abandono colegial constrói-se como subproduto do processo familiar e da inação do Estado.
Em uma primeira análise, o acentuado cenário e evasão nas escolas ocorre em decorrência do âmbito familiar. Isso porque, diversas famílias, principalmente nas margens das periferias, por passarem dificuldades financeiras, acabam dando prioridade à necessidade de trabalhar e não de estudar. Outrossim, a falta de estímulo por parte dos familiares e amigos, muitas vezes por não reconhecer a importância do estudo, contribui intrinsecamente para que o Brasil tenha a terceira maior taxa de afastamento acadêmico entre 100 países, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Ademais, em um segundo plano, a profunda conjuntura de abdicação da educação fundamenta-se também pela incapacidade estatal. Essa correlação decorre devido ao fato de que a ausência de infraestrutura desmotiva o aluno, tendo em vista que o Poder Público secundariza essa pauta, visto que não há investimentos na educação como prioridade, uma vez que o dinheiro público muitas vezes é desviado a políticos corruptos, os quais usufruem do capital para realizar suas metas pessoais. Arthur Lewis, um grande economista britânico, vislumbrou que a educação não é despesa, e sim investimento. Dessa forma, conclui-se que os investimentos destinados à educação não deveriam ser expedidos como perda de dinheiro.
A construção familiar e a má-gestão da máquina pública, portanto, instauram secularmente o grave abandono das escolas. À vista disso, com a finalidade de construir uma sociedade baseada na educação e na dignidade humana, o Poder Executivo Federal, sob a forma do Ministério da Educação, deve elaborar medidas de investimentos direcionados ao ensino, por meio da inserção de novas instituições e mudanças na infraestrutura, as quais devem estar incluídos os novos materiais didáticos qualificados para uma rede de ensino fundamental e médio. Nesse sentido, espera-se com isso formar um corpo social e Estado preocupados com o futuro do país através do ensino e, porventura, transformar os ideais de Lewis em uma realidade empírica.