Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2019
Apenas teoria
Em 2019, a reforma da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional atribuiu ao poder público o dever de zelar, junto aos pais e responsáveis, pela frequência das crianças e adolescentes à escola. Entretanto, as crescentes taxas de evasão escolar demonstram que substancial parcela dos estudantes não experimenta esse direito na prática, uma vez que os principais motivos são: necessidade de trabalhar e desinteresse do aluno. Com efeito, o combate a essa problemática pressupõe a desconstrução da histórica desigualdade social e do academicismo nas escolas.
A princípio, os alunos de classes sociais menos favorecidas encontram no trabalho uma possibilidade de ascensão econômica. De acordo com o sociólogo Karl Marx, no capitalismo há o acúmulo do capital para girar a “roda da economia”, e apenas quem o detém é quem possui as melhores condições de acesso a educação. Nesse sentido, a desigualdade evidenciada pelo sociólogo contribui para a evasão escolar dos estudantes mais pobres, uma vez que eles preferem deixar a escola e entrar no mercado de trabalho, a fim de ter melhor qualidade de vida. Assim, não é razoável que a histórica disparidade social prejudique o ensino brasileiro.
De outra parte, o distanciamento entre teoria e prática é obstáculo para a formação dos educandos. Segundo pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas, em 2009, 40,3% dos jovens de 13 a 17 anos estavam fora da escola por falta de interesse no ambiente escolar. Diante disso, o pedagogo e filósofo Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do oprimido”, defende que a educação deve ter íntima relação com a realidade dos alunos e não ficar restrita ao universo teórico -problema conhecido como academicismo. Nesse sentido, o distanciamento denunciado pelo pedagogo acarreta um dos mais graves problemas do ensino brasileiro: a evasão escolar.
Impende, pois, que a evasão escolar deixe de ser realidade no Brasil. Para isso, as escolas devem realizar atividades pedagógicas, por meio das aulas de história e atualidades, com capacidade de mostrar as origens da desigualdade social, a fim de evidenciar os obstáculos que impedem o vínculo aluno e escola -como a necessidade de trabalhar. Por sua vez, os próprios estudantes, com auxílio dos professores, podem realizar pesquisas e seminários relacionando a teoria aprendida em aula com o seu próprio contexto, como ocorre em nações desenvolvidas, com a finalidade de combater o problema do academicismo. Dessa forma, a reforma de 2019 será eficiente e deixará de ser apenas teoria.