Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 01/11/2019

Para o filósofo e educador grego Sêneca, “a educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”. Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário nacional, posto que os índices de evasão escolar se encontram, cada vez mais, acentuados. Nesse sentido, considerando que, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aproximadamente 1,3 milhão de estudantes deixam de concluir sua formação acadêmica, é primordial compreender as razões que reforçam o cenário em questão, dentre as quais se destacam: o modelo educacional ultrapassado e fatores de ordem socioeconômica associados à realidade dos alunos.

Em primeiro plano, convém ressaltar que a utilização de aulas expositivas como estratégia utilizada nas escolas surgiu durante a Idade Média como prática pedagógica efetivada pelo ensino jesuíta. Posteriormente, o século XX trouxe novas concepções a respeito do processo pedagógico. Com efeito, o teórico educacional Lev Vygostky elaborou a concepção do aluno como indivíduo ativo na construção do saber. Entretanto, ainda que questionado, o processo educacional mecanizado e hierárquico ainda é empregado pela maioria das escolas brasileiras, sobretudo nos educandários públicos, haja vista a ausência de recursos financeiros para implementar aulas participativas que, em sua maioria, dependem de uma infraestrutura adequada.

Outrossim, deve-se apontar que a evasão escolar afeta, principalmente, jovens entre 15 a 17 anos e de baixa renda, segundo estudos realizados pelo Ministério da Educação. Dentre as causas que reforçam esse quadro, tem-se a inserção precária no mercado de trabalho, além de outros fatores como violência e gravidez precoce. Diante disso, o desvio educacional promove a manutenção das desigualdades sociais presente em núcleos carentes da sociedade. Sob essa perspectiva, o teórico educacional Paulo Freire afirma: “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Por certo, é possível depreender que a educação possui um papel fundamental e deve ser assegurada mediante políticas públicas eficazes.

Em síntese, a evasão escolar deve ser combatida. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, junto às instituições de ensino, implementar o aprendizado interativo, por meio da construção de laboratórios para disciplinas específicas e a elaboração de aulas participativas, com o intuito de despertar o interesse dos alunos pela formação educacional. Ademais, cabe ao Governo Federal reforçar as políticas públicas existentes, mediante a fiscalização, a fim de garantir um ambiente educacional seguro e saudável para a construção do indivíduo. Espera-se que, com tais cuidados, a visão de Sêneca possa ser efetivada para que a educação possa influir sobre a vida.