Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 01/11/2019
“No meio do caminho tinha uma pedra/Tinha uma pedra no meio do caminho”. Esses versos de Carlos Drummond de Andrade, poeta modernista brasileiro, podem ilustrar os obstáculos presentes na vida das pessoas. Dessa forma, surge a problemática da evasão escolar na realidade brasileira, que é uma pedra no caminho do desenvolvimento da nação, ora pela lenta mudança da mentalidade da população, ora pela carência de ação governamental.
Mormente, segundo John Locke, filósofo inglês, o ser humano nasce como uma “folha em branco”, isto é, sem conhecimento algum, porém escreve-a conforme adquire experiências e saberes. Seguindo esse raciocínio, é possível notar que a evasão escolar no Brasil se encaixa na teoria do filósofo, uma vez que se a folha não é preenchida, o cidadão não possuirá conhecimento sobre a necessidade de frequentar a escola para evitar vulnerabilidades enquanto fora dela: trabalho infantil, gravidez na adolescência, ou ainda, adesão à criminalidade.
Além disso, segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, o número de jovens que não concluem nem o ensino fundamental é de aproximadamente 700 mil. Sob tal óptica, embora esteja previsto na legislação brasileira o acesso a educação, percebe-se que o equilíbrio é afetado pela carência de intervenção governamental, haja vista que, caso esses alunos estivessem estudando, seria menos custoso para o Estado investir no combate ao trabalho infantil e outras vulnerabilidades. Assim, a conscientização da população e investimento do governo na educação são necessários para atenuar o problema.
Dessarte, urge que o Ministério da Educação e Cultura crie, através de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas mídias televisivas e sociais que detalhem a importância de enfrentar a evasão escolar no contexto brasileiro para atingir a família e os jovens. Somente assim, será possível combater esse índice alarmante e, ademais, retirar as pedras do caminho dos cidadãos.