Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 02/11/2019
No livro “Utopia” de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social uniformiza-se pela a ausência de conflitos e impasses. Fora da ficção, observa -se no Brasil contemporaneidade, o oposto do que o autor prega, visto que a evasão escolar se configura como um problema que impede a realização dos planos de More. Esse quadro adverso é fruto tanto do arcaico modelo educacional, quanto de questões sociais existentes no país. Nesse sentido, torna-se necessária uma análise crítica desses aspectos, visando o pleno funcionamento da sociedade.
Inicialmente, é válido ressaltar a ineficiência estatal como uma das causas da problemática. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido a falta de atuação das autoridades na modernização do modelo educacional vigente, obtem-se escolas sustentadas por aulas maçantes e mecanizadas, que não despertam identificação aos alunos. Como resultado, observa -se os dados divulgados pela Organização Todos pela Educação, que destacam o desinteresse dos alunos como uma das causas da problemática. Desse modo, é imprescindível a reformulação dessa postura de forma urgente.
Ademais, cabe salientar as mazelas sociais, como promotoras do problema. De acordo com dados apresentados pelo portal de notícias G1, cerca de 2,5 milhões de crianças estão fora das escolas, essas em sua maioria, são negras e carentes. Partindo desse pressuposto, percebe-se que esse grupo, historicamente desfavorecido, deixa de desfrutar da educação que tem direito, tal cenário é fruto de sua inserção precoçe no mercado de trabalho. Essa situação, dificulta a resolução do empecilho visto que as questões socio-econômicas contribuem para a perpetuação desse quadro danoso.
Entênde-se, diante do exposto a necessidade de que o Estado tome medidas para amenizar a problemática. Para tornar o ambiente escolar maia dinâmico e interativo, o que por consequência aumentaria o interesse dos alunos acerca do conteúdo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), responsável por administrar o ensino no país, criar um plano de reestruturação educacional, por meio de mudanças na Grade Comum Curricular, com a inserção de aulas lúdicas com oficinas e debates. Além disso, o Governo Federal, deve destinar verba para a criação de cursos técnicos remunerados que permitam aos alunos de baixa renda a possibilidade de trabalho aliado ao estudo. Somente assim, a coletividade alcançará a Utopia de More.