Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 02/11/2019
Segundo o pensador Hegel, “o Estado é pai da população, portanto, deve cuidar dos seus filhos”. Entretanto, em alguns países essa paternidade não é exercida em determinadas áreas, como é o caso do Brasil, no combate à evasão escolar. Assim, torna-se extremamente necessário discutir acerca da realidade educacional brasileira, levando em conta os principais motivos que levam as pessoas a interromper os estudos e qual a parcela de responsabilidade do Estado nessa situação.
Em primeira análise, nota-se que a situação socioeconômica e o desinteresse do aluno pela educação são um dos principais motivos do abandono escolar. Nesse contexto, cumpre ressaltar que grande maioria dos discentes evasores deixam a escola para trabalhar e colaborar na renda familiar, o que mostra, baseado no pensamento de Hegel, que o Estado não está cumprindo o seu papel de maneira eficaz. Além disso, dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostram que 4 em cada 10 alunos deixam a instituição de ensino por desinteresse, que na maioria das vezes, é gerado pela mecanização do ensino existente no sistema educacional brasileiro.
Em segunda análise, percebe-se o não cumprimento dos deveres governamentais relacionados ao âmbito educacional. De acordo com a Constituição Cidadã de 1988, todo cidadão brasileiro tem direito à educação pública, gratuita e de qualidade ofertada pelas três esferas do Governo: Federal, Estadual e Municipal. Contudo, a realidade mostra que essas garantias não podem ser exercidas, uma vez que a situação das escolas brasileiras é, em sua maioria, precária; não há desenvolvimento de novas tecnologias que aprimorem a questão de ensino-aprendizagem. Visto isso, faz-se necessária a ampliação e criação de políticas públicas que tirem o Brasil da 3º posição do ranking de evasão escolar do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
Diante do exposto, postula-se que a evasão escolar no Brasil relaciona-se tanto a realidade do aluno, quanto a das ações governamentais. Destarte, faz-se necessária uma ação do Estado, por meio do Ministério da Educação, na criação de programas educacionais que promovam a integração entre a função educadora da escola e as necessidades do aluno, como a inserção de projetos e bolsas remuneradas - já existentes na rede federal - nas redes estadual e municipal de ensino. Desse modo, tal ação tem como finalidade a manutenção do aluno no ciclo escolar, além de desenvolver o interesse pelo aprendizado, o que vai contribui, em suma, para o cumprimento, evidenciado por Hegel, da função de “pai da população” pelo Estado.